DEMOCRACIA: pode uma guerra externa instaurá-la ?

Numa entrevista ao Estado de São Paulo de ontem diz o jornalista libanês, Ghassan Tueni, respondendo a uma pergunta do repórter: “Uma democracia imposta por tanques não é uma democracia.”

A discussão sobre a suposta ausência de conflitos bélicos entre democracias, que desde a década de 80 ficou conhecida, no meio acadêmico, como “a paz democrática”, está hoje entre as mais relevantes questões debatidas nas relações internacionais e na teoria da democracia ( escreve Carlos Henrique Cardim no prefácio de um livro recente da brasileira Soraya Nour intitulado “À paz perpétua de Kant, filosofia do direito internacional e das relações internacionais”).

Essa paz democrática não pode resultar, contudo, de uma guerra externa – como lembra Norberto Bobbio, opondo-se, energicamente, às doutrinas imperialistas, que pregam uma paz de império e de hegemonia, que não é a supressão das relações de força, mas a sua perpetuação num âmbito maior.

A paz a que aspira o pacifista, conclui o grande jurista italiano, deve ser uma paz de satisfação, ou seja, uma paz que seja o resultado de uma aceitação consciente, como apenas pode sê-lo a paz que se institui entre partes que já não têm reivindicações recíprocas a formular.

Vez por outra vemos uma notícia embutida na mídia sugerindo que Bush e Blair não desistiram, ainda, da guerra do Iraque, por amor à democracia. Isso, porém, a meu ver, não é verdade. Para mim, mais do que fazer democracia, o que eles querem mesmo, infelizmente, é fazer guerra.LETÁCIO JANSEN


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.