Cenário internacional surrealista

Temos assistido, nesses últimos 25 anos, a coisas incríveis, mas o que se passa, agora, debaixo de nossas vistas, no Oriente Médio, é assustador. O até então todo poderoso Estado de Israel sendo confrontado, com sucesso, pelos árabes.O que ocorrerá se as iniciativas guerreiras do Estado de Israel, no Líbano, e dos EUA no Iraque, resultarem num fracasso militar ?

Se lermos as entrelinhas da entrevista de Zbigniew Brzenzinski ao Global Viewpoint e formos bastante ousados nas nossas elucubrações, poderemos sonhar com que, nos próximos 4 meses – quem sabe aproveitando o Natal de 2006 – os soldados americanos já possam estar de volta ao seu país, abandonando definitivamente o Iraque. Para o povo americano essa seria, evidentemente, uma solução de alívio, mesmo às custas do reconhecimento público de que a “Bush Administration” foi ineficiente, e que o “neoconservadorismo é fatal”, como define o repórter Nathan Gardels, autor da entrevista.

Sobre a trágica incursão americana no Iraque muitas vezes me lembro de uma história cômica contada no Leblon do meu tempo que tinha como personagem uma figura popular no Rio, o futebolista Nenen Prancha que, para salientar a importância de certas decisões, dizia considerar o pênalti uma cobrança tão séria que ela devia ser executada, pessoalmente, pelo presidente do clube. A declaração de guerra, sempre foi, na História, a função mais importante de um chefe de Estado. No caso de Bush, porém, como proclama Paul Krugman, “os motivos do governo americano para ir à guerra eram fraudulentos”.

Mesmo que os EUA saiam do Iraque eles continuarão a ser o país mais importante do mundo, e poderão voltar a ser queridos. Isso sem prejuízo de que algumas pessoas devam ser responsabilizadas, política e juridicamente, pelas milhares de mortes e a destruição causadas ao povo iraquiano, e pela perda de milhares de soldados americanos, mortos e feridos desnecessariamente. Punir políticos de má fé, não há de ser nenhum bicho de sete cabeças para a democracia americana.

Brzenzinski, na entrevista citada, propõe um urgente engajamento político do seu país em busca de uma solução para o Oriente Médio, sob pena de haver uma explosão na região. Segundo ele,“ às vezes, na política internacional, o mais sábio é adiar os perigos em vez de tentar eliminar todos instantaneamente.” E quem corre o perigo maior é, evidentemente, o Estado de Israel, que, no longo prazo, segundo ele, enfrenta “um grande risco”.

Essa situação insólita talvez faça com que muito pacifista, que gosta dos judeus, e do povo de Israel, proponha algo aparentemente até então inimaginável: o desarmamento não só do Hezbollah como do Estado de Israel, para que todos naquela região, possam viver fraternalmente, como bons “brimos” que são. LETÁCIO JANSEN


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