À paz através do dinheiro …

…”é claro que estou de acordo com isso” – dirá você – “desde que seja deitado na sombra, numa rede, tomando água de coco fresca, ou uma batida de maracujá”… Lamentavelmente não é dessa paz hedonista, contudo, que pretendo tratar.

A proposta que eu submeto ao debate é de que seja ensaiada uma ordem monetária, no plano internacional, como um instrumento centralizado destinado à organizar juridicamente a violência, tal como ocorreu com os Estados nacionais.

Albert Hirschman, na obra “As paixões e os interesses: argumentos políticos a favor do capitalismo antes do seu triunfo”, lembra-nos, a propósito, a fórmula dos humanistas do século XVIII, bem expressa na frase de Montesquieu, epígrafe do seu livro: “ Et il est heureux pour les hommes d’être dans une situation où, pendant que leurs passions leur inspirent la pensée d’être méchants, ils ont pourtant l’interêt de ne pas l’être”. Ou, em tradução livre: é bom para os homens estarem numa situação em que, mesmo que suas paixões os inspirem a ser maus, eles tenham interesse em não sê-lo.

É inadmissível é o uso do dinheiro para fins socialmente prejudiciais, como ocorre quando ele é desperdiçado em operações internacionais nebulosas ou em guerras. Mas uma correta solução monetária – como, por exemplo, a instituição do Euro – pode transformar em realidade sonhos como o do abade de Saint Pierre e projetos, como o kantiano, de paz perpétua na Europa.

Mesmo que seja inviável a criação neste momento de um Banco Central Internacional, nos moldes do BCE, parece-me possível a instituição de Bancos Centrais regionais, na América do Sul, e em outras partes do mundo.

Os seres humanos podem continuar divididos entre cristãos, muçulmanos, budistas, judeus, e devotos de outras religiões, desde que lhe sejam dados os intrumentos juridicos para conviver em paz. A instituição de Bancos Centrais Regionais, e de moedas comuns, há de ser útil para enfrentar situações futuras nas quais, embora nossas paixões nos inspirem a ser maus, tenhamos interesse em não sê-lo. LETÁCIO JANSEN


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