O \”Estado Monetário\”

No início do século XVI, quando os portugueses desembarcaram no Brasil as nações indígenas locais não conheciam o dinheiro, como diz Von Martius no relatório que escreveu sobre sua estada em nosso país, entre 1817 e 1829. Quanto às instituições jurídicas dos índios no Brasil, diz ele: “Nas tribos brasileiras só se conhece o valor relativo, mas o dinheiro lhes é desconhecido e onde eles possuem metal, serve este somente para enfeites.Por causa dessa falta total de idéias determinantes de um valor definitivo dos objetos dádivas ou presentes são muito raros, e a natureza dos índios nada tem de generosa.\”

Os portugueses, ao contrário dos índios, ostentavam na época um sistema monetário dos mais avançados do mundo, subordinado à unidade monetária Real, expressa numa pletora de peças monetárias, que constituíam seu meio circulante e que ainda hoje deleitam os numismatas: o Real de dez soldos, o Real de três e meia libras, o Meio Real de dez soldos, o ¼ de Real de dez soldos, o Meio Real Cruzado, o ¼ de Real Cruzado, o Real branco, o Meio Real atípico, o Meio Real branco, o Real de dez reais brancos, o Real preto, o Meio Real preto, o Cruzado, o Leal, o Real grosso, o Chinfrão, o Espadim, o Cotrim, o Ceitil, o Vintém, o Meio Vintém, o Português, o Cruzadão, o Tostão, o Meio Tostão, o Índio, o Cinquinho, o Ceitil coroado, o Soldo, o Meio manuel, o Cruzado calvário, o São Vicente, o Meio São Vicente, o Real português, o Real português dobrado, o Dez Reais, o Três Reais, o Escudo São Tomé, o Pardau São Tomé, o Bazaruco, o Quatro Bazarucos, o Bastardo e o 500 Reais.

Como os selvagens brasileiros não usavam dinheiro, concluirão vocês, eles deviam ser muito mais felizes do que nós. Certo? Não; errado. Sem querer entrar na seara dos antropólogos considero a vida das sociedades indígenas brutal e violenta especialmente nas relações externas das diversas tribos. A natureza deles, por isso, segundo Von Martius, \”nada tinha de generosa\”.

É que o Estado monetário contribui para reduzir a violência nas relações entre os povos. A grande questão é a má distribuição do poder aquisitivo. Vamos examinar isso, contudo, com mais calma, nos ensaios que ainda estão por vir. LETÁCIO JANSEN


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