AINDA O PODER AQUISITIVO

O poder aquisitivo, como escreve o Sabino Camargo em seu comentário ao meu texto do dia 13 de agosto sobre valor e realidade , pode ser definido como “um elemento aferidor da capacidade de aquisição de bens e serviços e, como tal, tem de ser dimensionado (e provado seu quantum) em cada operação. Trata-se, pois, de um fato e fato que deve ser provado”.

Muitos o consideram, todavia, equivocadamente, uma espécie de valor intrínseco, “coisificando-o”, procurando tornar o poder aquisitivo objeto do direito de propriedade. O poder aquisitivo – um importante elemento de aferição, mas nada mais do que isso – ganhou, assim, uma indevida dimensão ideológica.

Aqui no Brasil essas idéias distorcidas foram tão longe que o poder aquisitivo, por força da doutrina da correção monetária, através do artifício dos indexadores (ORTN, OTN, BTN, etc) substituiu a moeda em uma grande quantidade de créditos, como “medida de valor”, entre 1964 e 1994.

Para bem entender o poder aquisitivo é preciso lembrar que ele não é atributo, apenas, das peças monetárias, mas também dos créditos.

Existe, atualmente, no mundo rico, um excesso de créditos. Eles são em maior quantidade do que os bens e serviços que, na realidade, as pessoas podem comprar, de modo que uma redistribuição internacional desse excesso de créditos para ajudar a diminuir a pobreza não trará prejuízos a ninguém. Esse assunto ficará, porém, para uma conversa posterior.

LETÁCIO JANSEN