R E P I Q U E ( 3 )

O colunista Thomas Friedman, do NYT, escreve, às vezes, como se fosse o “dono da verdade\”, o que se evidencia na frase inicial do seu artigo hoje publicado no GLOBO em que ele diz: “ Ainda não tenho certeza de quem é o vencedor entre Israel e Hezbollah, mas sei quem é o grande perdedor: os contribuintes do Irã.”
Caberá a ele, como se vê, dizer quem venceu a guerra e, conseqüentemente, quem ele disser que venceu será o vencedor. Será isso o que os filósofos do Direito chamam de “falácia naturalística” ?
Como todo dono da verdade a gente às vezes gosta do que o Friedman escreve, se estiver de acordo com o que pensamos, outras vezes não gosta, como aconteceu comigo em relação ao artigo de hoje, em que ele defende, no final das contas, uma redução pela metade nos preços do barril de petróleo.
Não é que eu não concorde, como consumidor, com a redução dos preços do barril de petróleo. O problema é que o Thomas Friedman aproveita a oportunidade para chamar os contribuintes do Irã de “um bando de idiotas”, porque o governo iraniano financia os seus aliados.
Ora, usando esse mesmo raciocínio, como devemos chamar os contribuintes dos EUA ? Será que o articulista não sabe quanto a ajuda militar a Israel custa por ano aos americanos? E não leu o artigo de Joseph Stiglitz sobre os verdadeiros custos da guerra do Iraque ? Os donos da verdade, como se vê, podem não ser isentos em suas opiniões.
Já o editorial do GLOBO, sob o título \”Sem sentido\”, alertando contra os riscos de uma corrida armamentista na América Latina é equilibrado, e, como diria um dono da verdade, merece ser lido.


R E P I Q U E ( 2 )

No editorial de lançamento da Revista de Direito do Estado há um trecho que diz que “os valores, fins públicos e comportamentos contemplados nos princípios e regras da Constituição passam a condicionar a validade e o sentido de todas as normas do direito infraconstitucional.”
A questão é saber quais são esses valores que, em última análise, fundamentariam a validade da própria Constituição, e quem os determina, e como. É preciso ter cuidado para que esse valores não se confundam com as eventuais “ boas intenções” que possam estar na cabeça daqueles que a eles se referem. O fato de pessoas quererem algo, não significa que esse algo seja, efetivamente, ou deva ser, o que elas querem. Ou significa ?


R E P I Q U E

A juíza federal Anna Diggs Taylor, de Michigan, considerou inconstitucionais as escutas telefônicas ordenadas por Bush e denunciadas, há cerca de dois meses, pelo jornal NYT. Ao mesmo tempo, numa entrevista à revista alemã Der Spiegel, publicada pelo Estadão de hoje, p. A29, o ex-presidente Jimmy Carter afirma que o ataque de Israel ao Líbano, a seu ver ilegal, foi “encorajado” pelos EUA.
Bush continua irredutível, reagindo a tudo isso de forma sempre ameaçadora, como é de seu estilo, achando-se, por certo, perseguido pela Justiça, de um lado, e por um notório defensor dos Direitos Humanos, de outro. A luta de Bush, portanto, no fundo – parodiando o título de um livro famoso de Ihering – é uma “Luta Contra o Direito”.
A grande indagação é quando ocorrerá o termo final desse processo que está levando os EUA a um isolamento internacional e a uma angústia interna que não podem ser ignorados pelas lideranças políticas daquele país. Com isso a crise política nos EUA tende a aguçar-se não se sabendo quais os caminhos que ela percorrerá, e não percorrerá.
Brincando, um pouco, com coisa tão séria, eu aconselharia, para terminar, que o pres. Bush, quando se sentisse de fato encurralado, seguisse o exemplo recente de conhecido político fluminense e, em protesto contra os que não entendem a sua missão messiânica, fizesse uma greve de fome. Mas até o final !


D I V U L G A Ç Ã O

Está sendo lançada, pela editora Renovar, do Rio de Janeiro, uma nova revista – a Revista de Direito do Estado – coordenada pelo jurista Luiz Roberto Barroso. Desejo o maior sucesso à RDE.