PEQUENO CURSO (8)

O PAPEL MOEDA

Deve-se à prática medieval dos títulos de crédito e ao moderno nominalismo monetário a pavimentação da trilha que propiciaria o lento surgimento das atuais peças monetárias de papel, uma das mais relevantes transformações ocorridas na História.

O crédito assumiu na Idade Moderna uma importância extraordinária, especialmente quando ele passou a circular corporificado em títulos de papel como se fosse uma peça monetária, forma que, por sua vez, foi assimilada mais tarde pelas novas peças monetárias denominadas papel moeda.

Com base no crédito organizou-se a contabilidade e , ao mesmo tempo, um novo sistema de absorção, pelos Tesouros, da riqueza da sociedade, pela imposição de obrigações pagáveis em peças monetárias, isto é, os tributos.

Para que as peças monetárias de metal se metamorfoseassem nas atuais cédulas era preciso formular uma \”nova\” doutrina do valor intrínseco a fim de que os mais ricos se sentissem menos inseguros e fosse incentivados a trocar o ouro, a prata – e mesmo o cobre – por papel.

Coube à ADAM SMITH promover essa transformação ao associar a noção de poder aquisitivo ao conceito de valor de troca, com várias características especiais: o valor intrínseco dizia respeito ao preço internacional do ouro e da prata e referia-se, apenas, às peças monetárias de metal; a noção smithiana de poder aquisitivo associada à de valor de troca dizia respeito aos preços, nacionais e internacionais, de todas as mercadorias que pudessem ser compradas, e, bem assim, às peças monetárias de papel e às obrigações monetárias.

Esse novo conceito de valor, de caráter econômico, foi consagrado através da famosa dicotomia entre “valor de uso e valor de troca”, que aparece pela primeira vez no livro Riqueza das Nações, onde se diz: “Deve observar-se que a palavra valor tem dois significados diferentes: umas vezes exprime a utilidade de um determinado objeto; outras o poder de compra de outros objetos que a posse desse representa. O primeiro pode designar-se por “valor de uso”; o segundo por “valor de troca”.

ADAM SMITH designa valor de troca o “poder de compra de outros objetos” que “a posse desse representa”. Ele embute a noção de poder aquisitivo no seu conceito de valor de troca, e identifica ambos. Convém notar que a quantidade de metal, com que se fundiam as peças monetárias, deixaria, a partir daí, de funcionar como um limite à emissão, pois a noção de poder aquisitivo não impunha limites físicos à dita emissão.LETÁCIO JANSEN