DANOS AO PODER AMERICANO

O ex-assessor de segurança, ZBIGNIEW BRZEZINSKI, e o ex-secretário de segurança COLLIN POWELL afirmaram aos jornais, na semana passada, que o exagero de Bush quanto às dimensões da ameaça terrorista abala e destrói o poder moral americano. E o economista PAUL KRUGMAN, em artigo para o NYT, publicado no “Estado” de ontem diz que as políticas interna e externa atuais comprometem os princípios dos EUA.
Tanto BRZEZINSKI como KRUGMAN estão de acordo em que o pres. Bush usa a sua estratégia com o propósito de obter sempre maior poder político pessoal, “em escala jamais atingida por outro político americano”, e pratica atos ostensivos de “violação da lei”.
Na verdade, quando a administração Bush invade, sem motivo, um grande pais soberano, como era o Iraque, e busca a tolerância do Congresso para a aplicação de técnicas de tortura no interrogatório dos inimigos, ele desrespeita as ordens jurídicas nacional e internacional que condenam essas condutas. E é isso o que “abala e destrói” o poder moral e os princípios dos americanos.
O Direito, como diz Kelsen, ainda é a principal ideologia de poder. A tática dos atuais dirigentes da Casa Branca pode dar certo eleitoralmente, a curto prazo. Os eleitores desavisados parecem gostar, num primeiro momento, de um descumpridor das leis que se orgulha disso, causando-lhes uma impressão de força e de rebeldia.
A médio prazo, porém, os EUA vão pagar o preço por esse comportamento ilegal de seus dirigentes, com a redução do seu poder diante do resto do mundo. Seria isso inevitável – o esperado declínio do “domínio imperial” americano – ou Bush foi longe demais ? Eu tendo a acreditar na segunda hipótese.