As conseqüências do erro

O ex-Secretário de Estado americano JAMES BAKER, amigo do velho Bush, que lidera uma comissão independente criada pelo Congresso para analisar o fracasso da guerra acha ( no fundo, no fundo, a meu ver ) que os EUA devem mesmo “bater em retirada”do Iraque, pois a alternativa que ele defende, de dividir o país em três regiões, afigura-se altamente problemática.
Antes de comentar porque essa divisão do Iraque é impraticável gostaria de lembrar que ela representa a terceira “razão política” inventada para a guerra, em substituição às duas primeiras já desmoralizadas, a saber: a ) – a eliminação das armas de destruição em massa, que não havia; e b) – a hipocrisia de implantar pela guerra uma democracia no coração do Oriente Médio.
Segundo a jornalista Sarah Baxter, que se baseia numa análise de ANTHONY CORDESMAN, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, em texto publicado no The Sunday Times, de Washington, traduzido pelo Estadão de hoje, a divisão do Iraque atual em três regiões – uma curda, uma xiita e a terceira sunita – revela-se temerária a começar pelo fato de que mais da metade da população vive em quatro grandes cidades, três das quais são multiétnicas.
Se essa política de divisão do país, proposta por James Baker, é a única alternativa no Iraque, devemos, portanto, sentar-nos e esperar que os EUA batam em breve em retirada de lá, conseqüência didática de um erro monumental da Administração Bush.


EIXOS DO MAL … E DO BEM

A Coréia do Norte realizou, afinal, a explosão da sua bomba atômica. O regime de Pyongyang parece dar mostras de se enquadrar no conceito ideológico dos americanos de membro do “Eixo do Mal”.
O problema desse conceito, porém, é que ele não tem uma antítese, já que ninguém, em sã consciência, acredita que os EUA, de Bush, a Grã Bretanha, de Blair e o Estado de Israel de Ehud Olmert constituam um “Eixo do Bem”.
O “clube atômico” desenvolve-se fora de controle e a disciplina internacional é cada vez mas precária. Dizem os jornais que a Coréia do Norte age assim buscando obrigar os EUA a manter um diálogo direto com ela, e se disponha a lhe dar dinheiro para tirar o povo da pobreza.Se o problema for esse, e se numa parte do mundo o dinheiro está efetivamente sobrando, porque, então – mesmo sem dar razão a Kim – não usar essas “sobras” para organizar melhor o sistema internacional ?
Acho que há um medo dos ricos de que dar dinheiro para os pobres importa em tirar poder aquisitivo deles. Será isso verdade, ou o emprego do dinheiro significa mais do que criar poder aquisitivo, e os valores monetários podem ser empregados como uma forma pacífica de organizar as nações?
A paz é um desafio comum aos ricos e pobres, sob pena de a Humanidade acabar indo para o espaço no mau sentido. Pensemos em substituir, portanto, essa idéia maniqueista idiota de eixo do mal por uma adaptação mais moderna do Manifesto Comunista do século 19 e conclamemos os ricos e pobres de todo o mundo para uma campanha com o seguinte lema: “UNÂMO-MOS”!


ESBOÇO DE UMAA HISTÓRIA JURÍDICA DA MOEDA BRASILEIRA (VII)

A CRISE DO “XEM-XEM”

Quando a Regência se instaurou, em 1831, havia em circulação um montante de cerca de 5 mil contos de réis, composto de notas do extinto Banco do Brasil, de cédulas da província da Bahia, de peças monetárias de cobre emitidas legalmente, e de cobre falso.

A cunhagem do cobre como “recurso financeiro” começou em maio de 1821, mas foi oficializada cerca de um ano depois, quando a Portaria de 6 de setembro de 1822, dirigida à Casa da Moeda do Rio de Janeiro, mandou que se procedesse ao fabrico e cunhagem do cobre com a maior brevidade “trabalhando-se mesmo nas horas da tarde e na maior porção que fosse possível”, sendo seguida pelas Portarias de 9 e de 26 do mesmo mês, determinando que também a Casa da Moeda da Bahia cunhasse cobre, e que fossem remetidos “engenhos de cunhar” para as províncias de São Paulo, de Goiás e de Mato Grosso.

Acreditava-se, então, que, sendo o cobre um metal – não tão precioso como o ouro e a prata mas, ainda assim, como esses, um metal – a sua disseminação pelo meio circulante pudesse vir a fortalecê-lo, o que expressava, de certo modo, uma antiga idéia de que o valor da moeda nacional decorreria do conteúdo das peças monetárias.

Diversas providências foram tomadas para tentar resolver a crise monetária decorrente da cunhagem desordenada do cobre, a começar pela Lei n. 52, de 3 de outubro de 1833, que autorizava o governo a resgatar, dentro de 2 meses, as peças monetárias de cobre em circulação, determinando aos seus possuidores que as recolhessem às Tesourarias provinciais, “recebendo, aí, cédulas, que seriam admitidas como moedas nas Estações Públicas das respectivas províncias”.

Como não foram bem sucedidas as medidas preconizadas pela Lei n. 52, de 1833, o governo editou, em 6 de outubro de 1835, a Lei n. 54 cujas determinações, mais tarde reforçadas pela Lei de 11 de outubro de 1837, acabaram resultando eficazes, considerando-se encerrada, nesse ano, a chamada crise do “xem-xem”, que foi muito significativa na época.