JÁ VI ESSE FILME

Assisti a campanhas orquestradas da mídia contra a esquerda brasileira tanto na época que precedeu o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, como no período que antecedeu a deposição de Jango Goulart, em 1964.
No início do primeiro mandato do governo Lula parecia-me que a situação era diferente, por não estarem contra nem as Forças Armadas nem, oficialmente, o governo americano. E por ter a esquerda sabido compor-se com as elites econômicas e financeiras.
Não me dera conta, porém, do fato novo da ascensão de Hugo Chávez no cenário latino americano e da necessidade de os EUA, à falta de uma política coerente para a região, ter de lançar mão dos mesmos agentes de sempre para tentar colocar o nosso governo contra a parede, impedindo a sua maior aproximação com a Venezuela, especialmente depois que ela se tornou membro do MERCOSUL.
Os virulentos discursos da oposição no “caso do dossiê”, que tanta histeria causam em segmentos da classe média, são uma reprodução do velho udenismo, reforçado pela adesão de antigos militantes da extrema esquerda, em cima de uma situação ambígua que não se sabe bem ainda quem idealizou embora não haja dúvida de que serviu para levar a decisão da eleição presidencial brasileira para o segundo turno.
Coisa, a meu ver, de contra espionagem, mostrando que vamos ter pela frente dias difíceis,especialmente na área da política externa.


HAIKAI # 2

Somos peixes da atmosfera
Que estamos degradando
O nosso precioso aquário


ESBOÇO DE UMA HISTÓRIA JURÍDICA DA MOEDA BRASILEIRA (XII)

A IDEOLOGIA DE JOAQUIM MURTINHO

Para se contrapor a RUI é evocado, até hoje, como exemplo de sensatez financeira, o nome de JOAQUIM DUARTE MURTINHO NOBRE, cuja política, baseada na execução do “funding scheme” – fundada em “concepções bastante rudimentares quanto à natureza do ajustamento necessário para solucionar as dificuldades de pagamentos do país” – exerceu, posteriormente, grande influência no pensamento econômico brasileiro.

As opiniões políticas e econômicas de MURTINHO refletem uma ideologia subserviente e conformista, a qual, sob diversas formas contamina até hoje o pensamento brasileiro. Os seguintes trechos da Introdução ao relatório de 1897 elaborado por MURTINHO ainda como ministro da Viação do governo de PRUDENTE DE MORAES, são um bom exemplo dessa mentalidade retrógrada: “Confundindo o bilhete de emissão conversível, precioso instrumento de crédito, com o bilhete inconversível, simples instrumento da ditadura econômica, organizamos nossos bancos emissores, pensando por esta forma dar ao nosso crédito expansão suficiente para satisfazer a todas as nossas fantasias patrióticas “. “Não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos da América do Norte como tipo para nosso desenvolvimento industrial, porque não temos as aptidões superiores de sua raça, força que representa o papel principal no progresso industrial desse grande país”. “Não procuremos imitar, também neste ponto ( a política de imigração ) os Estados Unidos da América do Norte: não temos o poder assimilador enérgico e intenso desse grande povo”. “O nosso crescimento será lento e gradual, mas será um crescimento orgânico, um desenvolvimento, isto é, uma ampliação, conservando o molde e a estrutura em suas linhas essenciais “.

Nem têm comparação os discursos de RUI e de MURTINHO, sem contar que o “papelismo” de RUI findou por triunfar sobre o “metalismo” do segundo, que acabou derrotado pela História.