O RESULTADO DA REUNIÃO

Terá sido mesmo pífio o resultado da reunião de hoje de 90 minutos do pres. Bush com o chefe do Comando Central dos EUA e principal responsável militar para o Oriente Médio John Abizaid ?
Há, aparentemente, uma tentativa de os militares obterem do governo uma mudança de estratégia no sentido de se estabelecer um calendário para a retirada das forças anglo americanas e estancar o banho de sangue em que se transformou a invasão ( que já causou a morte de 650 mil civis iraquianos, o êxodo em massa da população e a perda de 3.000 soldados americanos, além dos cerca de 30.000 estropiados).
Mas a Casa Branca, diante da ameaça de perder a maioria para os democratas, parece não querer passar a impressão de que está “amarelando” e as notícias sobre a reunião são deliberadamente ambíguas.
Diz-se, por um lado, que o presidente americano revisou sua estratégia. Mas diz-se, também, oficialmente, que não vai haver mudanças drásticas e que o objetivo do governo foi ajustar as “táticas” mas o objetivo continua “claro e inalterável” ou seja, alcançar “a vitória”.
Na reunião também estiveram presentes o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld; o chefe do Estado maior conjunto das Forças Armadas, Peter Pace; o conselheiro de Segurança Nacional, Stephen Hadley; e outros altos
funcionários. Ainda participaram do encontro, por videoconferência, o vice-presidente Dick Cheney; o chefe das forças americanas no Iraque, George Casey, e o embaixador americano no país árabe, Zalmay Khalilzad.
Os analistas e os meios de comunicação destacam que a presença dos generais na Casa Branca é incomum. A rede americana CNN informou neste sábado, citando fontes anônimas, que John Abizaid viajou a Washington somente para participar do encontro embora na versão da Casa Branca o general tenha ido à capital para passar \”uns dias de descanso\”.
É difícil saber o que verdadeiramente ocorreu. Como uma vitória é impensável, é bem provável que tenha havido mesmo as mudanças, não apenas \”nas táticas\” mas na estratégia e, conseqüentemente, na política.
Disso tudo pode resultar a retirada das forças anglo americanas do Iraque depois das eleições de novembro, mas antes do fim do ano. Embora essa minha impressão possa não passar de um whisful thinking.


TÁTICAS E ESTRATÉGIA

O pres. Bush, numa entrevista dada ontem à agência Associated Press, declarou que “estamos constantemente ajustando nossas táticas para que possamos atingir os objetivos”, confundindo, deliberadamente, as noções militares de tática e de estratégia, para enganar a opinião pública. O que os chefes militares vão discutir neste fim de semana na Casa Branca não são táticas, mas uma mudança de estratégia de que pode resultar a decisão política – que parece inevitável – de as forças invasoras anglo-americanas se retirarem do Iraque.


ESBOÇO DE UMA HISTÓRIA JURÍDICA DA MOEDA BRASILEIRA (XVI)

A LONGA GESTAÇÃO DE UM BANCO CENTRAL

A luta pela instituição de um Banco Central se deve muito a HOMERO BATISTA, presidente do Banco do Brasil, no período 1914-1918 e Ministro da Fazenda, de 25 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922, e contou com o apoio de grande parte do setor privado e da imprensa, ganhando intensidade sempre que ocorria alguma contração do crédito.

Foi pleiteada, na época, a transformação do Banco do Brasil em Banco Central, sendo a questão submetida ao Congresso, onde se formou um consenso de que era prematura a criação de um Banco Central, optando-se pela criação, junto ao Banco do Brasil, de uma Carteira de Emissão e Redesconto, que começou a operar em fevereiro de 1921.

Em dezembro de 1922, logo após a posse de ARTUR BERNARDES o Deputado CINCINATO BRAGA apresentou um projeto de lei propondo a transformação do Banco do Brasil em Banco Central, que, foi aprovado, por força do qual o Banco do Brasil passou a deter, formalmente, também as funções de Banco Central dotado do monopólio de emissão de papel-moeda, situação que se alterou com a Reforma de 1926, e acabou superada com a alteração dos estatutos do Banco.

Em meados de 1930, o governo ainda julgava poder manter a estabilidade cambial e, mesmo, alcançar a curto prazo, seu antigo objetivo de estabilização cambial através de um Banco Central ortodoxo com plena conversibilidade em ouro, objetivo esse defendido pelo Presidente eleito JÚLIO PRESTES. A revolução de outubro de 1930 alterou, porém, esse estado de coisas, e a Carteira de Redesconto do Banco do Brasil foi reaberta em dezembro de 1930 reiniciando as operações nos termos da Lei de 1920, que a havia inicialmente instituído.

No início de 1931 o governo convidou Sir OTTO NIEMEYER, Diretor do Banco da Inglaterra, a visitar o Brasil, e aconselhar medidas para assegurar a manutenção do equilíbrio orçamentário, a estabilização cambial e a reforma monetária, a reconstrução do Banco do Brasil como um Banco Central ortodoxo e independente, e a limitação dos empréstimos externos diretos ou indiretos pelos governos federal e estadual do Brasil, que produziu um relatório “traçado em linhas ortodoxas”.

Com o fim da Segunda Guerra constatou-se que era imperiosa a formulação de uma nova política monetária ativa e consciente – ao invés da atitude passiva do Banco do Brasil, regida, apenas, quando provocado pelas ocorrências que surgiam. Ao mesmo tempo, em 1944 o Brasil participou da Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas, em Bretton Woods, e concordou em se associar aos recém-criados FMI ( Fundo Monetário Internacional ) e Banco Mundial.

Criou-se, enfim, em 2 de fevereiro de 1945, a Superintendência de Moeda e do Crédito – SUMOC, com o objetivo não só de coordenar a política monetária mas, também, de lançar as base para a criação do Banco Central, afinal instituído pela lei n. 4.595, de dezembro de 1964.