A IDEOLOGIA DO LIBERALISMO

 
Um querido amigo meu está em vias de ingressar no Instituto Liberal que publica em português os livros de F.A.HAYEK, um dos quais “Desestatização do Dinheiro – uma análise da teoria e prática das moedas simultâneas”.

HAYEK, ganhador, como FRIEDMAN de um prêmio Nobel de Economia é, portanto,  contra uma das principais funções do Estado, que é emitir dinheiro.

A ideologia desse liberalismo de FRIEDMAN – como a de Hayek, de Gary Becker e de tantos outros principalmente de língua, embora não necessariamente de nacionalidade,  anglo americana , que pressupõe a inconveniência dos Estados nacionais – está fazendo um mal danado à Humanidade.

A “liberdade” deles tornou-se uma grande deusa, ou um novo Leviatã, que tende a dominar tudo. Ao invés do império da Lei ela proclama a necessidade do “Império”, pura e simplesmente.

O espaço da liberdade, porém, é muito menor do que se imagina.

O jurista HANS KELSEN diria, portanto, ao meu amigo, que está em vias de entrar para o Instituto Liberal, para refletir mais, antes de apor a sua assinatura no termo de adesão.

No capítulo significativamente intitulado “O mínimo de liberdade”, da sua Teoria Pura do Direito, diz KELSEN a esse propósito:

“ Mesmo sob a ordem jurídicas mais totalitária existe algo como uma liberdade inalienável – não enquanto direito inato do homem, enquanto direito natural – mas como uma conseqüência da limitação técnica que a afeta a disciplina positiva da conduta humana. No entanto, esta esfera de liberdade apenas pode ser considerada como juridicamente garantida na medida em que a ordem jurídica proíba intrusões nela.”

A ideologia dos “liberalistas”, ao dizer que a liberdade é fundamento de validade do Estado nacional, acaba instigando o surgimento de totalitarismos, que eles dizem combater.

Os atuais neo-conservadores dos EUA – irmãos gêmeos dos neo-liberais que eles sucederam no poder – estão mostrando isso ao mundo claramente.


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