IDEOLOGIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA

A Coluna SECOVI-SP, de 6 do corrente, informa que amanhã, dia 8 de dezembro de 2006, o ministro da Fazenda GUIDO MANTEGA, acompanhado do seu secretário de política econômica JÚLIO SÉRGIO GOMES DE ALMEIRA irá reunir-se com empresários do setor imobiliário para “falar das propostas do governo para estimular a indústria imobiliária e a construção”.

O setor imobiliário brasileiro nunca desistiu de ter a sua “moeda própria” como acontecia nos tempos da Unidade Padrão de Capital ( UPC ). Depois de muita insistência conseguiu, recentemente, furar a Lei da Desindexação da Economia para voltar a obter correção monetária mensal de seus contratos, baseada na variação periódica da inflação.

Por menor que seja a inflação atualmente, conseguir reajustar as prestações pecuniárias é um grande negócio para as empresas imobiliárias colocando-as ( ao lado dos bancos e da burocracia tributária ) numa situação de privilégio em relação às outras empresas e pessoas físicas, negociantes ou trabalhadores, que só podem reajustar seus preços anualmente, além de estar sujeitas as condições de concorrência.

O longo processo de Desindexação da Economia, que foi “quase” vitorioso com o Plano Real de 1994 e sua legislação complementar, já havia sofrido uma estagnação no final da gestão do ministro PEDRO SAMPAIO MALAN, e teve um pequeno retrocesso com o ministro ANTÕNIO PALOCCI. Agora, com o ministro MANTEGA, assessorado por JÚLIO SÉRGIO, está andando para trás e corre o risco de se perder por inteiro.

O ministro MALAN dizia, brincando, que o brasileiro era uma espécie rara de “homo indexatus”, o que a prática do dia a dia demonstra efetivamente ocorrer. É que há uma ideologia da correção monetária no Brasil, que trabalha para desorganizar a nossa moeda nacional. Vemos, há algum tempo, os jornalistas falarem, com a maior naturalidade, em reajustes periódicos disso e daquilo, acima ou abaixo da inflação, como se a moeda não fosse o Real, mas o poder aquisitivo do Real. No fundo, no fundo, é isso, aliás, o que grande parte do público consumidor acha, com a conivência de muitas autoridades e das associações das classes “conservadoras”, como o SECOVI.

Para enfrentar essa ideologia que se infiltra, solertemente, em nossa maneira de pensar – na medida em que consegue fazer com que grande parte dos brasileiros aja como se fossem agiotas – é preciso recuperar o processo de desindexação, que não foi longe o suficiente para restabelecer o primado do nominalismo monetário. Devemos enfrentar as pressões pela retomada de inflação e dos reajustes que se manifestam, ultimamente, até mesmo sob a égide de uma indefinível e confusa propaganda do “desenvolvimentismo”.

A força da inércia tornou pequeno o prazo de um ano após o qual a lei permite o reajustamento das prestações. Esse prazo, portanto, para começo de conversa, deve ser aumentado para 3 ( três ) ou 5 ( cinco ) anos. Ao lado disso os poderes públicos devem atuar rigorosamente no sentido contrário em que vem caminhando o ministro MANTEGA que, visivelmente, está buscando construir alianças para conseguir ser preservado no próximo período do governo LULA.

Cuidado, presidente: se o seu governo não abrir os olhos corre o risco de cair, de novo, na armadilha da esquizofrenia monetária que tanto prejuízo nos causou antes do Plano Real.


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