MAIS INFLAÇÃO SIGNIFICA MAIS CORREÇÃO MONETÁRIA

O pres. Lula assumiu, aparentemente, o discurso pró-inflacionário – ou, pelo menos, pró “um pouco mais de inflação” – segundo declarações suas transmitidas ontem na televisão, em que ele diz que a dificuldade é estabelecer o nível desse aumento, isto é, qual é a taxa adequada.

Uma leitura mais otimista poderia nos levar à conclusão de que ele, ao dizer o que disse, choveu, apenas, no molhado, uma vez que o Banco Central já fixa uma taxa de inflação desejada, e o percentual está próximo do que sugeriu o presidente.

Não dá, porém, nesse caso, para ser muito otimista, pois essas tentativas de crescer com inflação estão na alma brasileira. Juscelino Kubitschek foi o herói dessa política e é o político brasileiro que deixou melhores saudades na nossa população.

O último ganhador do Prêmio Nobel, EDMUND S. PHEPS, condena, veemente, esse clichê, de que mais inflação causa crescimento e emprego, evidenciando que é o contrário que ocorre. Ele é americano, vivendo num país onde não existe correção monetária.

O problema do aumento do nível de inflação no Brasil é que ele significará, automaticamente, o aumento da correção monetária para aqueles que ainda estão se beneficiando desse expediente, como o sistema financeiro, a burocracia tributária e as construtoras do ramo imobiliário ( dentre alguns outros ).

Como a correção monetária cria, para seus beneficiários, uma “moeda” própria, e como o decurso do tempo rende, para seus titulares, um acréscimo pecuniário que tem efeitos práticos de “juros”, qualquer aumento, por menor que seja, é uma vantagem.

A minha impressão é de que o pres. Lula, longe do min. PALOCCI, e fora da influência da equipe do min. MALAN, mergulhou nas águas ideológicas da indexação. O que, diante da sua tradição de operário, não deixa de ser uma surpresa, pois os trabalhadores são os mais prejudicados com a atualização das dívidas, embora os seus Sindicatos torçam por ela porque mostram resultados sem precisar fazer muita força.


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