NEM GANHANDO, NEM PERDENDO

A idéia subjacente à afirmação do pres. BUSH de que os EUA não estão ganhando nem perdendo no Iraque é a de que os mais fortes militarmente nunca perdem a guerra: porque, no máximo, empatam.

Essa proposição é falsa e abstrai-se do fato de que há sempre um objetivo político por trás da guerra, que pode ou não ser atingido, como, no caso, não está sendo.

A declaração do pres. Bush, por outro lado, embute a idéia da força como fundamento de validade da ordem internacional, o que é a antítese do Direito. O motivo não importa: não havia armas de destruição em massa, o Iraque não vai virar uma democracia, mas a face americana fica a salvo, porque empatou o jogo.

Os EUA, como maior potência militar do planeta, se quiserem viver em paz com os outros povos – e eles não têm alternativa a isso, salvo se destruírem todo o mundo – devem obediência ao Direito Internacional, que eles desrespeitaram ostensivamente ao invadirem, sem razão legítima, uma nação soberana .

É sob esse ângulo que devemos constatar que os EUA perderam a guerra do Iraque e nada justifica que se prolongue a destruição e as mortes no local que a presença deles apenas agravará.


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