VOZ DO BRASIL E CORREÇÃO MONETÁRIA: DOIS RESÍDUOS AUTORITÁRIOS

Ao ligar o rádio quando voltava de automóvel para casa – hoje, entre 19 e 20 horas – fiz uma involuntária comparação entre duas coisas que tornaram-se típicas em nosso país: 1 – a hora do Brasil; 2 – e a correção monetária.

A atual Voz do Brasil – chatíssima, desde a sua origem – começou a ser veiculada no dia 22 de julho de 1935, no governo Getúlio Vargas. A sua transmissão compulsória por todas as emissoras de rádio do país iniciou-se em 1938, e essa obrigatoriedade vem sendo questionada há cerca de trinta anos. Várias rádios conseguiram liminares para não transmitir o programa, dentre elas a Eldorado e a Antena 1 de São Paulo, havendo recursos que aguardam a decisão final do Supremo Tribunal Federal.

A Hora do Brasil, contudo, segundo a opinião predominante, não causa graves danos à Nação, ao contrário do que ocorre com a correção monetária, que – embora extinta juridicamente pelo Plano Real – sobrevive atualmente como uma ideologia e provoca muita perturbação por onde passa.

Refletindo sobre o gosto nacional por esses resíduos autoritários e sobre a preservação, até hoje, do caráter compulsório da transmissão da Voz do Brasil percebi porque – além do poder da “clientela” – é tão difícil virar definitivamente a página da indexação em nosso país.


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