HERANÇA CORRECIOMONETÁRIA

Vale a pena voltarmos ao editorial do Estadão do dia 26 de dezembro sobre a “Herança inflacionária” porque ele trata de uma questão muito relevante que compromete o funcionamento atual do mercado financeiro brasileiro e, em conseqüência, “trava” a Economia.

Afirma o jornal, com apoio em estudo de NAKANO ( publicado no diário Valor da semana passada ) que “mantiveram-se instrumentos do regime monetário anterior, como o financiamento da dívida pública no overnight ( com compromisso de recompra pelo Banco Central ), depósitos remunerados diariamente e com liquidez imediata, recolhimentos compulsórios muito altos, falta de mecanismos de financiamento adequado para o déficit público e, em conseqüência, falta de um mercado de crédito de longo prazo.”

Com a falta de mercado de crédito a longo prazo, continua o editorial, “ o déficit público é financiado por um sistema que interliga o Banco Central e os bancos comerciais (..) e leva ao aumento da quantidade de moeda em circulação e de haveres financeiros de alta liquidez (o que ) diminui muito, em contrapartida, a disponibilidade de recursos para o setor produtivo”, do que resulta a elevada necessidade de financiamento do governo e a limitação da eficácia da autonomia do Banco Central.

O editorialista termina o seu texto dizendo não acreditar que o governo esteja disposto a promover os acertos necessários para adaptar a política monetária à vigência atual de um regime de estabilidade de preços. Como, porém, eu sou mais otimista tenho fé em que o pres. Lula, no segundo mandato – desde que encontre um bom ministro da Fazenda para ajudá-lo – fará os ajustes que se impõem, sob pena de se dar mal.


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