DESOBEDIÊNCIA MILITAR

O Estado americano vive uma crise – desencadeada pela derrota da guerra do Iraque – cuja saída depende de afastar do caminho os atuais ocupantes da Casa Branca: especificamente o pres. George W.Bush e o Vice Presidente Dick Cheney .O problema é como fazer.

O objetivo político do Estado americano deve ser, a meu ver, retirar as suas forças armadas do front do Iraque. A Casa Branca, porém, não quer que isso ocorra, por entender que lhe interessa retardar o mais possível essa decisão. Enquanto o pau vai e vem, como se dizia antigamente, folgam as costas. No entretempo, o conflito pode alastrar-se para o Irã, ou para a Síria; os líderes da Al-Qaeda podem ser localizados, e mortos: havendo, enfim, a possibilidade ( real, ou imaginária ) de ocorrerem eventos que revertam a situação presente de desprestígio dela perante a opinião pública. Isso significa, porém, um número crescente de mortes de pessoas e de desgaste – inadmissível – cada vez maior do poder americano.

Como as forças armadas são, hoje em dia, profissionais, e não mais recrutadas, não adianta o protesto eficaz de queimar os títulos de alistamento na praça pública. A tática a ser empregada não pode ser mais, portanto, de responsabilidade daqueles que estão na linha baixa da hierarquia militar. Tem que ser posta em prática pelos comandantes ( o que não exclui a necessidade de movimentos de rua de apoio, por parte da população civil ) o que torna as coisas mais difíceis.

A desobediência militar que estou imaginando – diversamente da estridente desobediência civil de que os EUA tem exemplos majestosos – há de ser surda, baseada numa espécie de “operação padrão”, que crie as condições de retardar o agravamento do conflito, condição indispensável ( embora aparentemente contraditória ) para desconstituir essa guerra, a curto prazo.

É um desafio gigantesco para os políticos norte-americanos que já demonstraram, porém, em outras ocasiões, que são capazes de encontrar saídas para situações aparentemente insolúveis.


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