A GLOBALIZAÇÃO FINANCEIRA E O DIREITO INTERNACIONAL

Um dos maiores precursores teóricos da democracia, MONTESQUIEU, dizia, no século XVII, em “ O Espírito das Leis” ( livro 18, capitulo XVI ) , que, entre os povos que usam a moeda, era indispensável a existência de boas leis, pois as injustiças decorrentes da astúcia tendiam a ser exercidas de mil maneiras.

Uma das maneiras de exercer essa astúcia, podemos acrescentar, é pagar aos cientistas para dar declarações dizendo que a questão do aquecimento global não é tão grave assim, como a Administração Bush está fazendo, segundo denunciou ontem em Madri o ex-vice presidente americano Al Gore.

“Eles não têm mais argumentos para continuar despejando toda a sua poluição na atmosfera da Terra. A única coisa que lhes resta é dinheiro, que eles vêm oferecendo aos profissionais ditos céticos, para que eles tentem confundir as pessoas. O que é totalmente antiético, já que chegou a hora de agirmos “, disse Gore em entrevista a uma rede de TV espanhola.

Não há dúvida, como acentuou Al Gore em sua entrevista, que é antiético pagar a cientistas para que eles amenizem as assustadoras conclusões do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) que afirmou que o aumento da temperatura do planeta é “muito provavelmente” causado pelo homem ( e que ) a temperatura da Terra aumentará entre 1,8 e 4 graus centígrados até o final do século.

O problema, contudo, não é apenas ético: mesmo porque a ordem moral se apóia em sanções internas que podem não ser eficazes.

O intenso uso universal do dinheiro, diria, hoje, Montesquieu, exige a edição de leis internacionais que impeçam isso que a Administração Bush está fazendo na área do meio ambiente: o emprego indevido do dinheiro para subornar cientistas com a finalidade de minimizar as conseqüências desastrosas para a humanidade do aquecimento global.


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