Viva o acordo nuclear com a Coréia do Norte !

Uma importante vitória da diplomacia foi a celebração do acordo nuclear com a Coréia do Norte que, há um ano atrás, como assinala o colunista David E. Santer, do NYT, parecia improvável.

A opinião pública mundial pode respirar um pouco mais aliviada, ao perceber que a intransigência das partes é capaz de ceder diante da eficácia de um processo diplomático bem conduzido, mesmo quando versa sobre um tema tão complexo quanto o do controle das armas atômicas.

O fato de o governo Bush estar, aparentemente, tentando capitalizar, politicamente, o acordo, não o desmerece. A posição, isolada, do Embaixador John Bolton, contrária ao acordo, pode ser uma demonstração de que uma parte da Casa Branca está tentando voltar a atuar internacionalmente segundo normas civilizadas, influenciada pela percepção de que o “americanismo” que vem ditando a conduta do governo dos EUA nos últimos anos não está dando muito certo.

Como escreve Norberto Bobbio na conclusão de sua “Premissa” ao livro em que foram recolhidos seus estudos sobre Thomas Hobbes, “uma vez fixado o núcleo do pensamento hobbesiano na instituição de um poder comum para escapar da anarquia e instaurar uma paz estável, não é possível deixar de levar em conta que esse é hoje ( ele escrevia em 1989, mas a situação não se alterou significativamente ) o problema da ordem internacional…. (… ) A paz perpétua é um longo processo, destinado talvez a se manter incompleto (… o que ) não anula a validade ideal do ‘modelo hobbesiano” como motivo inspirador desse processo.”

O acordo nuclear com a Coréia do Norte deve ser saudado, portanto, “hobbesianamente”, como uma louvável conquista na direção de uma paz mundial estável.


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