NEPO-LIBERALISMO

O grande MARIO VARGAS LLOSA em artigo publicado no caderno internacional do Estadão de domingo, 18 de fevereiro, intitulado “A volta do idiota” faz propaganda do livro neo liberal que seu filho, Álvaro, escreveu em co-autoria com Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montenere, chamado “El Regreso del Idiota”, em que os três – isto é, os quatro, pois o pai faz coro com eles – investem contra chefes de Estado latino-americanos democraticamente eleitos dentre eles Hugo Chávez e Evo Morales, numa crítica da qual não escapam nem mesmo os que eles querem tratar com alguma simpatia (como Michelle Bachelet, Tabaré Vazquez, Luiz Inácio Lula da Silva, Nestor Kirchner, Rafael Corrêa. Alan Garcia e Daniel Ortega).

Ou seja, o livro do filho, que o grande escritor peruano elogia, critica todos os políticos de esquerda de nosso continente, que seriam, segundo ele, idiotas, apoiados, por outros idiotas de diversos países como, Noam Chomsky, Ignacio Ramonet, Harold Pinter, etc, etc.

Nem o filho nem o pai percebem as transformações importantes pelas quais está passando a democracia da América Latina onde, há pouco tempo, floresciam ditaduras de direita anti-populares, apoiadas pelos EUA, contra as quais, a bem da verdade, até que o Mario Vargas Llosa, quando era mais jovem, ainda tentou lutar.

O gênero decadente pró-ocidente que inspira o livro – o mesmo praticado, atualmente, por alguns intelectuais, políticos e jornalistas ( cada vez mais insuportáveis de ler) – expressa, em última análise, um profundo desprezo pelos povos americanos de língua espanhola e portuguesa no momento em que esses povos estão conseguindo escolher ( agora sim, livremente ) os seus governantes.

A ideologia elogiada por Mario Vargas Llosa escamoteia o fato de que a liberdade que eles dizem pregar sustenta-se apoiada numa organização estatal cada vez mais agressiva. Quem lê, aliás, os escritos de HAYEK e de VON MISES – autores a que o artigo se refere com entusiasmo – tem a impressão de que eles vislumbram um mundo florido de papel moeda e de créditos brotando da natureza, que não precisam da proteção da violência para valer, o que está longe de ser verdade.

Enfim, mesmo os que gostam de curtir as obras de ficção do Mario Vargas Llosa acabam com tristeza a leitura do artigo em que ele faz a propaganda – uma forma de nepotismo – do livro escrito em co-autoria por seu filho Álvaro, “A volta do idiota”.


2 comentárioss até agora

  1. Marcelo de Freitas julho 30, 2007 5:55 pm

    Infelizmente o sr. não refuta as críticas que o livro faz aos chefes-de-estado latino americanos. Apenas tenta desqualificar os autores com clichês saturados. Eu gostaria de ver alguns números, idéias e conteúdo em suas críticas.

  2. letacio julho 31, 2007 9:49 am

    Vou procurar fugir, no futuro, de eventuais clichês. Obrigado pela crítica.

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