A indexação, ainda e sempre

O professor da PUC/RJ, Luiz Roberto Cunha, declara, em entrevista a Nilson Brandão Junior, publicada hoje no Estadão, que “a redução da indexação é uma vitória, mas isso acontece porque a inflação está baixa. Não garanto que, se voltasse a subir, não ressurgiria mais forte a indexação. Somos uma sociedade habituada ao vício da indexação.”

Também o Coordenador de Análise Econômica da FGV, Salomão Quadros, alerta para a redução dos períodos em que está ocorrendo a indexação. Ele lembra que ainda hoje alguns serviços seguem regras de indexação, como televisão a cabo, planos de saúde, aluguéis, muitas vezes ajustados pelo IGP-M. A energia elétrica, por exemplo, segue o índice de inflação geral, mais um fator de produtividade. Já a telefonia utiliza um índice especial, o IST, voltado especificamente para o setor .

Diz Quadros, em conclusão: “ … qualquer reajuste de preços vinculado a um índice chama-se indexação. Não é reajustado a partir de negociação que reflita as condições de mercado daquele momento.”

Cabem, aqui, duas observações: a primeira é de que não somos, apenas, uma sociedade habituada ao vício da indexação. Há uma grave questão de Direito envolvida no tema que precisa ser discutida. O Plano Real se baseou num artifício jurídico, a URV, que não foi ainda resolvido e está cobrando a conta da mágica que produziu. O Plano, ademais, deixou em aberto espaços importantíssimos da Economia em que a indexação sobreviveu legalmente, como no mercado financeiro e no Poder Judiciário, cível e trabalhista, etc

A segunda observação que se impõe diz respeito à pessoa errada que o pres. Lula corre o risco de manter no ministério da Fazenda. O ministro parece que não percebe o que está acontecendo à sua volta mesmo porque, ao que consta, não tem uma formação teórica adequada para enfrentar o momento político financeiro atual. Ele age, além disso, partidariamente nas suas decisões, mesmo as que podem comprometer a estabilidade monetária ( como no caso, por exemplo, da próxima exoneração do diretor Afonso Bevilacqua do Banco Central, que teria sido uma exigência de certos segmentos do PT ).

Tudo isso me parece a “crônica de uma crise monetária anunciada”, que o pres. Lula, porém, com a sua indiscutível sensibilidade e seu proclamado bom senso, ainda pode evitar, como espero que evite.


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