Uma característica essencial ( mas hoje subestimada ) do conceito de valor (I)

As palavras “valor” , “value” “valore”, “Wert” e “valeur” encontram-se entre as mais populares no mundo. Quando consultado, a respeito, em 3 de março de 2007, o Google, apresentou os seguintes resultados : valor, 133 milhões de entradas; value, 726 milhões; valore, 34 milhões e 500 mil; Wert, 84 milhões e 700 mil e valeur, 57 milhões e 500 mil.

O vocábulo “valor” aparece, no mesmo site, com muito mais freqüência do que “Justiça” ( que figura com 37.300.00 entradas em português) e, o que é pior ( dificultando a exata compreensão da noção) , trata-se de um conceito recente, não tendo sido estudado, em toda a sua dimensão, nem na Bíblia, nem na filosofia dos gregos, nem no Direito Romano; embora, à primeira vista, pareça-nos ser um desses conceitos que sempre e eternamente existiram…

Mesmo reconhecendo que o termo “valor” ingressou, em nossa linguagem ocidental apenas na Idade Média, na fase conhecida como “latim tardio” (para ajudar as pessoas a enfrentar, como veremos mais adiante, algumas questões novas surgidas em decorrência da “desvalorização” do dinheiro ) os estudiosos tendem a admitir que a noção do valor não era desconhecidos dos gregos e dos romanos. Ou seja, embora não empregando a palavra no sentido atual, teriam os antigos a compreensão do que seria o valor e a consciência dos problemas por ele suscitados.

KELSEN, por exemplo, ao estudar o conceito platônico de “idéia” no livro “A Ilusão da justiça” (pp. 415 e segs,) diz: “E a justiça, ou o Bem – que, nesse sentido, significa a mesma coisa – nada mais é do que pagar o bem com o bem e, portanto, o mal com o mal; em suma: o valor sócio-moral é o conteúdo essencial das idéias – é, no fundo, “a idéia”. Mas adiante, prossegue:

“ O ‘sagrado’ é o divinamente bom, a substância divinizada do valor-moral. É característica do pensamento mítico-primitivo conceber os valores como substâncias, a valia de um objeto como participante na substância do valor, como presença dessa substância no objeto. O valor ou os valores, aos quais PLATÃO, em sua doutrina das idéias, busca conferir um fundamento teórico são valores objetivos e, nesse sentido, absolutos.”

Mesmo tendo identificado as noções de valor e de norma (…”ser igual’, nada mais é do que corresponder à norma, concretizar o valor. Essa norma, esse valor, é o que a idéia representa”) e embora seja um defensor ardoroso da relatividade dos valores, não tira KELSEN dessas premissas as conseqüências que, a meu ver, poderiam delas ser extraídas.

A atitude kelseniana a respeito da evolução do conceito de valor, como se ele estivesse presente – embora a palavra não existisse – no pensamento de PLATÃO e dos gregos contribui para passar a impressão de que a noção de valor não tenha surgido, como efetivamente surgiu, como resultado de um debate jurídico econômico ( sobre as alterações do valor imposto pelos soberanos às peças monetárias ).

( continua )


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