Tentativa de aplicar algumas das idéias antes expostas

Tentando aplicar algumas idéias expostas neste Blog ao longo dos últimos dias gostaria de ponderar aos redatores do ante projeto da tese do grupo ( do qual faz parte o min. Tarso Genro e outros importantes representantes do PT ), referido em parte na edição de hoje do Estadão, sobre a necessidade de repensar-se o discurso da esquerda brasileira no que diz respeito ao Banco Central.

Num dos trechos transcritos nos jornal diz o ante projeto o seguinte: “ O maior entrave hoje à construção de uma economia no setor público é o caráter historicamente anti-republicano da gestão do Banco Central. Esse caráter anti-republicano , acentuado pelos anos do neo-liberalismo, se revela hoje ainda na financeirização de sua gestão, isto é, na sua relação íntima com o capital financeiro, na escolha de seus quadros, em seus procedimentos, em suas fontes de informação, em suas políticas e metas”.

O que significa isso ? Quererá o grupo que está redigindo o projeto de tese criar um outro tipo de Banco Central ? Mas que tipo seria esse: algo em que os políticos, que recebem votos ( e mesmo os derrotados, em compensação da derrota ) tivessem ingerência ? E de que fontes de informação esses políticos deveriam nutrir-se ? O que quer dizer, exatamente, financeirização da gestão ? Pode um Banco que é o caixa dos outros bancos deixar de relacionar-se com o capital financeiro ?

Quanto ao “caráter históricamente anti-republicano”, ele é sinônimo de caráter monarquista ?

E porque o Banco Central é anti republicano ?

A visão igualitária da esquerda não pode ficar satisfeita com a má distribuição do poder aquisitivo pela população brasileira . Mas esse sentimento – a meu ver correto – não deve levá-la a condenar o órgão que desempenha uma função essencial num Estado monetário ( como é o Brasil, assim como é a China, como é a Índia, como é a Rússia, etc ) apenas porque ele disciplina o dinheiro.

O dinheiro, como a Lei, destina-se a organizar as condutas das pessoas na sociedade civil.

Ser contra o dinheiro, ser contra a disciplina do dinheiro, ser contra o Banco Central, equivale a ser contra a lei.

É, em suma, uma forma – mesmo não assumida inteiramente – de anarquia, que não se coaduna, a meu ver, com a história e responsabilidade do PT.


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