BRASIL DEFINITIVO

De onde advirá a nossa incapacidade, quando servidores públicos, de conservar adequadamente os imóveis e móveis sob nossa administração ?

Por que os hospitais, as delegacias, os presídios, as repartições públicas civis, as ambulâncias e os carros da polícia, em geral, são tão mal cuidados ?

Quando é que as televisões vão deixar de nos mostrar as cenas degradantes da falta de conservação desses bens públicos ?

Parece que há uma tendência de deixarmos esses bens irem se desgastando até um ponto em que precisem sofrer grandes reformas, ao invés de passarem por uma manutenção constante.

Por que será, contudo, que isso ocorre ?

Dentre as tentativas de explicação para esse fenômeno – falta de educação, convicção religiosa ( de que o importante, mesmo, é o Reino dos céus, e não os bens terrenos ), herança cultural ibérica, etc – há uma que me parece a mais convincente: essa situação decorre do fato de acharmos que vivemos num país provisório ( “BRASIL PROVISÓRIO” , aliás, é o sugestivo título de um livro do jornalista Newton Rodrigues, falecido em 2005, editado no Rio de Janeiro pela Editora Guanabara em 1986)

Nos dias atuais, cerca de 20 anos depois da publicação desse livro – após dois mandatos tranqüilos do presidente Fernando Henrique Cardoso e um do presidente Lula, ora reeleito – o Brasil não pode ser mais considerado um país provisório. Vivemos, hoje, em 2007, enfim, para o bem ou para o mal, num Brasil definitivo. Não temos mais a desculpa de não conservarmos e mantermos sempre, em bom estado, os nossos bens públicos.


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