A ESCOLHA DE BLAIR

O que terá levado Tony Blair, predestinado a ser um dos maiores estadistas do final do século XX, a ter feito a escolha errada, que destruiu a sua biografia, de se atrelar a George Bush na trágica aventura de invadir o Iraque ?

Tive a impressão, numa certa época, anterior à invasão, de que Blair tentava manobrar junto ao governo americano no sentido de ter uma palavra decisiva no episódio.

Mais tarde, ainda antes da invasão, ele pareceu-me atropelado pela tremenda máquina de guerra que estava em movimento, e chegara a unir num mesmo banco pessoas tão diferentes como Donald Rumsfeld e Collin Powell.

A principal razão da escolha de Blair, contudo, vendo à distância, foi a sua impressão de que os EUA ganhariam a guerra em pouco tempo.

Era inconcebível, na época, que a “insurgência” iraquiana pudesse vir a ter a capacidade de organização que adquiriu, e que a tática suicida por ela aplicada – uma trágica novidade militar como foi a guerrilha do Vietnam – tivesse a eficiência que vem demonstrando.

Foi, portanto, no final das contas, uma opção oportunista de Blair, que revelou um traço de seu caráter, e impediu-o de ter um lugar respeitável na História.


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