A ESTRATÉGIA DE “GANHAR TEMPO”

Ao pedir paciência ao povo americano, ao ensejo do quarto aniversário da guerra do Iraque, o presidente George Bush continua fiel à única política que lhe restou: ganhar tempo, o que convém pessoalmente à sua Administração mas é danoso para os EUA.

O interesse nacional norte-americano é sair imediatamente do Iraque, pais que foi invadido com base em informações deliberadamente falsas arquitetadas pelo governo, especialmente de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa que poderiam ser facilmente entregues a terroristas e usadas dentro dos Estados Unidos, o que justificava uma ação preventiva.

Os americanos ainda têm, diante da opinião pública mundial, essa desculpa: fomos enganados, George Bush mentiu, estamos saindo do Iraque.

Sair do Iraque, porém, não interessa ao governo, porque o atual presidente, e seus colaboradores, sabem que ao se tornar evidente a mentira que pregaram eles serão pessoalmente processados e punidos.

Dizem, também, que o fim da guerra não interessaria às quatro irmãs ( Exxon Mobil, Chevron, Shell e BP ) que, na época em que eram sete, detinham a quase totalidade do petróleo do mundo,três quartos do qual está, hoje, nas mãos dos governos dos países produtores, e esperam recuperar o espaço perdido.

Segundo informa Antonia Juhasz, em artigo para o NYT, o presidente da Chevron, Kenneth Derr, disse, a propósito, em 1998, a uma platéia em São Francisco : “ O Iraque possui reservas imensas de petróleo e gás – reservas às quais eu adoraria que a Chevron tivesse acesso.”

Ganhar tempo pode significar, também – o que chega a ser uma loucura pensar – reunir forças para ampliar a guerra no Oriente Médio, estendendo-a à Síria e ao Irã.

De qualquer modo, não deve o povo americano ouvir o apelo por “paciência” de Bush.

É preciso mostrar que a Nação foi iludida, que foi vítima de um esquema de falsidades que talvez não tenha similar na História.

Já existe um grave divórcio entre a sociedade e o governo americanos.

As atitudes inalteradas da Administração Bush – como essa, de pedir paciência à Nação, depois de quatro anos de guerra e cerca de dois de “missão cumprida”- são capazes de provocar uma crise política interna nos EUA, de largas proporções – que pode ocorrer a partir de uma centelha provocada por qualquer estopim.

É uma surpresa, aliás, que ela não tenha ainda eclodido.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.