CONSERVADORISMO DIPLOMÁTICO

É muito conservador o editorial da edição de sábado do jornal O GLOBO intitulado “Lição Européia”, escrito a propósito das comemorações dos 50 anos do Tratado de Roma, que deu origem à Comunidade Econômica Européia, e, mais tarde, ao EURO.

A tese central do texto é de que a experiência européia deve ser aplicada ao MERCOSUL desde que de forma lenta, gradual e segura, com a observação final, de que, na América Latina, a “integração econômica virá naturalmente, sem açodamento ou risco de retrocesso”, como se fosse essa a lição a tirar da experiência européia.

Esse discurso é falso.

Em primeiro lugar nenhuma instituição surge “naturalmente”: o EURO, por exemplo, é o resultado de uma longa elaboração jurídico-econômica, e foi precedido de estudos prévios intensos que se desenvolveram no âmbito do Instituto Monetário Europeu que se transformou, mais tarde, no BCE. Nada teve, portanto, de natural.

Além disso, a moeda única européia deve ser encarada como a demonstração de que a teoria pode ser aplicada na prática e isso em tempo, evidentemente, mais curto do que ocorreu na Europa. É o mesmo que ocorreu com as constituições do século XIX, que se alastraram pelo mundo depois da experiência bem sucedida norte americana do final do século XVIII.

O receio do editorialista, embora não explicitado, deve ser o temor da proposta venezuelana de criação do Banco do Sul que pode vir a ser a semente de um futuro Banco Central Sul Americano.

Tudo o que implique a não-demonização de Chávez, e dos governos “democráticos-populistas” da América Latina, é visto, atualmente, como uma ameaça pelos jornalistas inoculados com o tradicional vírus do “americanismo”.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.