Cortigiani, vil razza dannata

Cortesãos, raça vil e danada …. Foi dessa imprecação do RIGOLETTO de que imediatamente me lembrei quando assisti ontem, na televisão, a uma festa na Casa Branca em que o presidente George Bush e outras figuras do governo americano dançam, contam anedotas e riem muito, aplaudidos por um público parecido com o da corte do Duque de Mântua, retratado na ópera de VERDI.

Essa festa, ao que parece, se repete anualmente, a pretexto de celebrar as boas relações entre o governo e a mídia e simular a descontração dos americanos em geral no seu convívio com o poder.

Logo depois desse quadro, em que o presidente – com a sua cara de Ronald Golias – lê três ou quatro anedotas e o sinistro Karl Rove dança um R.A.P – dá-se um corte e aparecem cadáveres estropiados de civis iraquianos, vítimas da guerra civil que eclodiu no pais em decorrência da ilegal invasão de quatro anos atrás.

Em respeito – não digo aos mortos iraquianos, que são considerados, certamente, pelos personagens da festa, seres inferiores – mas às famílias dos próprios americanos que estão morrendo como moscas todos os dias no Iraque, essas modalidades de comemorações deviam ser evitadas em momentos graves como o que estamos vivendo, diante dos quais soam como um trágico deboche.


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