A “moeda comunitária” venezuela

A idéia do pres. Hugo Chávez de instituir, na Venezuela, a “moeda dos pobres” – uma espécie de antítese da nossa “oerreteêne”, criada pelo golpe brasileiro de 1964, que era a “moeda dos ricos” – pode ser fruto de dois equívocos.

Segundo a reportagem de hoje do Estadão o novo ( e aparentemente temporário ) “sistema monetário venezuelano permitirá a troca de bens entre aqueles que não tem dinheiro”, o que evitaria a emissão de novos bolívares e o conseqüente aumento da inflação, que já é a maior da América Latina, de cerca de 17% anuais.

O primeiro equívoco, portanto, que pode estar por trás da sugestão, é de que a troca seria “melhor” para os pobres do que a compra e venda, o que não é verdade.

O segundo equívoco consiste em admitir que possa haver, num mesmo Estado, duas moedas nacionais, proposição que se abstrai do fato de que uma suposta “segunda moeda” não é dinheiro, mas crédito.

É preciso muito cuidado ao mexer com a ordem monetária, para não jogar fora, como se diz popularmente, o bebê com a água do banho.

A experiência brasileira nessa área – embora oriunda de uma inspiração inteiramente contrária à que deve estar movendo o governo venezuelano – pode servir de boa conselheira do pres. Chávez.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.