A VARIG VÊ A VIÚVA

A velha VARIG – que não vale nada – ganhou, há tempos, uma ação judicial de dois bilhões de reais ( e mais quatrocentos milhões de condenação em honorários de advogado ) contra a União Federal, com base na alegação de que teria sido prejudicada pelo governo por causa do congelamento temporário de suas tarifas,decretado na época dos planos econômicos.

Como o congelamento de preços foi a técnica sucessivamente usada pelo governo, desde 1986, para tentar acabar com a inflação, atingindo praticamente todas as empresas brasileiras, o argumento da VARIG desmoraliza-se por si, já que serviria de base para que qualquer um de nós propusesse ação semelhante.

Levado às últimas conseqüências o fundamento da sentença que beneficiou a VARIG, conduziria à conclusão de que os Estados nacionais não podem fazer reformas monetárias.

O fato, porém, é que a antiga VARIG, com base em perícias no mínimo “fantasiosas” conseguiu, na Justiça, uma condenação de mais de dois bilhões, montante evidentemente distorcido, se comparado, inclusive, com o preço da recente compra da nova VARIG pela GOL (de cerca de700 milhões de reais ).

Ou seja, a indenização que a velha VARIG está cobrando da União Federal corresponde a mais de 3 vezes o preço de venda da nova VARIG.

Ocorre que os antigos empregados da VARIG estão fazendo, agora, uma campanha de opinião pública visando usar esse dinheirão todo da “viúva” – que a Advocacia Geral da União luta para não pagar – para compensar o rombo provocado pelos antigos administradores da AERUS, o fundo de pensão dos funcionários da companhia, que está sob regime de intervenção pelo Ministério da Previdência.

Alguns desses antigos empregados prestaram, ontem, no Jornal das Dez, da TV GLOBO, comovedores depoimentos , reclamando que a complementação de suas aposentadorias não está sendo paga pela AERUS,e pleiteando, expressamente, que parte dos bilhões de reais da condenação judicial sejam empregados para recompor o patrimônio do seu falido fundo de pensão.

Essa operação financeira, que está sendo vendida para o grande público como se fosse uma simples conta de compensação significa, na verdade, forçar a União Federal a fazer um acordo com a velha VARIG, desistindo dos remédios judiciários – até de uma eventual ação rescisória da sentença – que anulem, ou pelo menos, reduzam,a indevida condenação imposta, ou retirem-na, de qualquer modo, da fila dos Precatórios.

A gestão fraudulenta dos recursos da AERUS, que causa danos aos antigos funcionários da VARIG, não pode ser consertada às nossas custas.

A questão da VARIG, até hoje, vem sendo encaminhada com base em soluções “de mercado”.

Não podemos permitir que o pleito dos seus antigos funcionários, contra seus antigos patrões, sirva de pretexto para que a “viúva” sofra, mais uma vez, a sangria gigantesca de dinheiro que estão querendo lhe impor.


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