Projeto para unir o MERCOSUL

Em comentário sobre os rumos do MERCOSUL publicado no jornal GLOBO de hoje a colunista Miriam Leitão alerta para a falta de um projeto que una os membros do bloco em torno de um objetivo institucional comum, diversamente do que aconteceu na União Européia que esboçara, desde o início, o seu propósito de ter uma moeda comum.

Os europeus sabiam, com efeito, desde o princípio, que a livre circulação de pessoas, de serviços e de mercadorias apenas podia institucionalizar-se, definitivamente, através da circulação de uma moeda comum. A moeda única – não obstante as idas e vindas do processo de sua criação – era um objetivo original : somente ela seria capaz de assegurar a “paz perpétua” kantiana entre as nações européias que era a grande inspiração da sua união.

A situação da América do Sul é diferente já que, a despeito das rivalidades regionais, não temos tido, felizmente,guerras entre nós. Isso não impede, porém, de buscar uma garantia de que essa situação permaneça indefinidamente, o que depende da institucionalização da livre circulação de pessoas e de produtos assegurada, em última análise, pela moeda comum, tal como aconteceu na Europa.

A Europa nos mostrou, ainda, que é mais fácil ter uma moeda comum do que uma lei constitucional única. Ou, em outras palavras, que a moeda pode, perfeitamente, anteceder a lei. Na verdade, tanto a lei, como a moeda, são formas de moldar a conduta das pessoas na sociedade. O dinheiro, porém, é mais fácil de entender e de interpretar do que as leis: e é por isso que a moeda européia – uma norma de valor internacional mais compreensível do que a lei – pôde viger com menos dificuldade do que a lei constitucional, que não está fácil de ser implantada nos países do mercado comum da Europa

Devemos nos unir, portanto, desde logo, em torno da idéia da moeda comum no MERCOSUL. É esse o projeto institucional necessário, de cuja falta reclama a jornalista Miriam Leitão.


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