ALMAS PENADAS

Temos, no Brasil, o defeito de não resolver inteiramente os problemas institucionais cujos efeitos mais danosos conseguimos afastar temporariamente.

A eclosão da recente crise militar decorrente da insubordinação dos sargentos controladores de vôo – em que militares de alta patente deram declarações públicas que ameaçaram a própria estabilidade do governo – evidenciou essa faceta do caráter nacional brasileiro: a ilusão de que os problemas estão resolvidos assim que os sintomas mais agudo das crises desaparecem.

Trata-se de uma miragem. Assim como tudo que existe na sociedade foi construído pelo homem a desconstrução também depende dele. Certos hábitos que nos foram legados pela ditadura – como essa mania dos militares de se rebelar contra o governo civil – e que foram consertados apenas em parte permanecem, por isso, nos assombrando como se fossem almas penadas.

Governistas e oposicionistas devemos preocupar-nos, pois, todos os dias, em aprimorar as instituições nacionais, para depurá-las, inteiramente, de seus antigos cacoetes, evitando que eles permaneçam no limbo, de onde podem sem mais nem menos retornar ao mundo dos vivos.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.