“Sobre formigas e cigarras”, de Antônio Palocci

O ex-ministro da Fazenda renova, no seu livro, a impressão que sempre me passou de pessoa serena e controlada, embora duas coisas não tenham me agradado: primeiro, o uso, a certa altura, da expressão “respeito aos contratos”, cujo emprego requeria, a meu ver, mais cuidado – porque se trata de um “slogan” perigoso, não pelo que diz, mas pelo que esconde; segundo, os elogios à lei n. 10.931, de 2004, que não se justificam, uma vez que, parodiando o o pres. Lula, o certo seria dizer que “nunca neste país” houve uma lei tão mal feita.

Acho, também, que a indústria da construção brasileira, não terá o papel vislumbrado pelo ex-ministro,enquanto se mantiver elitista e comportar-se como viúva do antigo SFH, sem buscar fórmulas que permitam diminuir o déficit habitacional das classes pobres.

Afora isso o livro nos ajuda a entender melhor o funcionamento do governo Lula, e traz, no final, um bom receituário denominado “lista do bom senso” com recomendações úteis sobre o que os governantes devem fazer na área econômica, a começar pela obediência ao princípio da estabilidade de preços,concluindo com a necessidade de aprimoramento da ordem jurídica.

O livro de Palocci, enfim, consegue transmitir, com eficiência, a mensagem do autor: de que ele foi uma formiguinha importante na construção do bem sucedido momento econômico que estamos vivendo, a despeito do canto agressivo das cigarras que o derrubaram do ministério.


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