INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA E MOEDA ÚNICA REGIONAL

O jornal Globo de hoje dá destaque à seguinte declaração do pres. Lula prestada numa entrevista aos jornalistas em Santiago: “ Trabalho com a idéia de que possamos construir, nos próximos quatro anos, uma moeda única no MERCOSUL. Devemos chegar a um Banco Central”.

A busca de alguma forma de entendimento regional monetário já vinha se manifestando com alguma intensidade, há meses, no noticiário da imprensa, seja em torno da criação do Banco do Sul, seja a propósito do Fundo comum Brasil/Argentina a ser criado para enfrentar eventuais especulações sobre nossas respectivas moedas nacionais, seja sobre a Resolução conjunta que fixou data para que as transações entre Argentina e Brasil passem a ser feitas em moedas locais, e não mais em dólar.

Vários são os motivos pelos quais devemos caminhar para uma unificação monetária. Outras unificações são muito mais difíceis: é praticamente impossível , por ora, uma Constituição comum – o que nem a Europa obteve ainda; uma unificação militar, está, também, fora de cogitação; o veículo institucional que resta para a nossa rápida unificação é, portanto, a moeda.

A opinião pública está acostumada a pensar na moeda única como o instrumento final de uma união comercial e financeira, abstraindo-se das suas características jurídicas, deixando de lado a noção de que a moeda é uma modalidade de organização institucional.

A moeda única não precisa ser pensada, apenas, como a conclusão final de um processo de acerto comercial latino americano. Ela pode ser usada como uma forma simplificada de organizar internacionalmente os Estados – uma espécie de lei internacional, mais fácil de entender e de aplicar do que as leis e os tratados usuais – que já provou, através da implantação do EURO, ser capaz, como num passe de mágica, de unir países de tradições e culturas muito diferentes, como a Alemanha e a França, por exemplo.

A criação de um Banco Central latino americano vai implicar uma restrição à soberania monetária dos Estados nacionais envolvidos, que é, porém, aceitável, e não nos causará danos, como a união monetária européia demonstrou. O Brasil, por sinal, tem, hoje, um Banco Central que é modelo de boa gestão, internacionalmente reconhecido. Ele pode vir a ser o núcleo do futuro banco central comum da nossa região.

Devemos ter a consciência, como latino americanos, de que está chegando a nossa vez na história, e que a força dos povos da região virá de sua união, para a qual a moeda comum ( que eu proponho venha denominar-se “SUR” ) é pressuposto fundamental.


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