RENÚNCIA DE BLAIR, DERROTA DE BUSH

Se a guerra do Iraque tivesse terminado com uma vitória rápida das forças de coalização, como Blair calculara na época, ele seria, hoje, sem dúvida, o maior líder mundial. Como as coisas, porém, deram errado, Blair foi obrigado a renunciar ao governo da Inglaterra, deixando Bush, e os EUA, cada vez mais isolados.

Tony Blair, no período inicial do conflito, emprestou credibilidade à política externa de Bush no Oriente Médio, o que o seu sucessor, evidentemente, não poderá fazer. Por mais que a retirada das tropas americanas do Iraque venha a ocorrer de modo” lento, gradual e seguro” ela acontecerá de qualquer jeito, e a Grã Bretanha não continuará a apoiar a “guerra ao terror”.

Isso significa que os “homens-bomba” foram capazes de vencer, revelando-se, na guerra do Iraque, o “pendant” dos guerrilheiros vietcongs, da guerra do Vietnã. O treinamento militar vai ter que contemplar, portanto, no futuro, a tática dos homens bomba, assim como prevê, hoje em dia, como enfrentar as guerrilhas.

Outras táticas, contudo, surgirão, como os seus antídotos, e assim sucessivamente. Cabe então perguntar: até quando ? Na medida que os meios de destruição se tornam cada vez mais absolutos as formas de enfrentá-los vão, também, se radicalizando. Diante disso, não haverá outro meio de a civilização sobreviver senão encontrando um modo adequado de convivência pacífica entre os povos.

O neo-conservadorismo americano não conseguiu, aparentemente, se firmar como política hegemônica no mundo. Será indispensável que o próximo presidente dos EUA busque outros meios para relacionar-se com os demais Estados nacionais, inclusive os do Oriente Médio. Deverá ocorrer, portanto, na próxima década, uma outra arrumação estratégica e política, a ser consolidada por um novo Direito Internacional, no qual as moedas comuns e os Bancos Centrais supranacionais, a meu ver, terão papel relevante.


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