CRÍTICA DAS IDEOLOGIAS

No discurso com que abriu a 5ª. Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, ontem, em Aparecida o papa Bento XVI, embora crítico, demonstrou respeito pela doutrina marxista, ao admitir que ela tentava construir “estruturas justas”.

Disse ele a esse propósito:

“Tanto o capitalismo, como o marxismo, prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam sozinhas; afirmaram que não só não teriam necessidade de uma precedência moral individual, mas que essa promoveria a moralidade comum. Essa promessa ideológica se demonstrou falsa …”

E prosseguiu:

“O sistema marxista, onde chegou ao poder, não deixou só uma triste herança de destruição econômica e ecológica, mas também uma dolorosa destruição dos espíritos. E a mesma coisa vemos no Ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos e se produz uma inquietante degradação da dignidade pessoal, com a droga, o álcool e as enganosas miragens de felicidade. As estruturas justas são, como disse, uma condição indispensável para uma sociedade justa, mas não nascem nem funcionam sem um consenso moral da sociedade sobre os valores fundamentais e a necessidade de viver esses valores com as necessárias renúncias, e até mesmo contra os interesses pessoais.”

Dentre as muitas contribuições que o papa trouxe, em sua viagem, para o debate intelectual no Brasil uma das mais importantes foi, a meu ver, a sua crítica constante e consistente ao pensamento ideológico, que tira do foco o objeto do conhecimento.


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