OURO, PRATA E PODER AQUISITIVO

Na sua exposição ontem, no 19º Fórum Nacional, quando se referiu ao fenômeno da valorização do real em frente ao dólar, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou que a nossa unidade monetária se manteve estável, nos últimos doze meses, diante do euro e que, em relação a uma cesta de moedas, está no mesmo nível de 1999.

Por outro lado, segundo o ministro, 15 outras moedas nacionais, além do real, valorizaram-se diante do dólar, dos seguintes países: Eslováquia, Islândia, Hungria, Tailândia, Inglaterra, Polônia, Austrália, República Checa, Colômbia, União Européia, Índia, Filipinas, Malásia, Cingapura e Peru.

Ou seja: o problema da valorização do real não seria do real, mas do dólar.

E daí ?

Na sua época, quando o problema eram o ouro e a prata, Adam Smith declarou , em seu livro famoso, Riqueza das Nações, ser “ridículo” considerar que a riqueza consistia na quantidade de dinheiro que circulava numa nação, pois o que importava não era a peça monetária em si, mas sim o que ela podia comprar.

Essa crítica de Adam Smith ao “metalismo” do seu tempo alicerçou, no futuro, a pujança do dólar de papel: foi, em parte, essa condenação à doutrina do valor intrínseco, que permitiu que o dólar, nascido da moeda de papel da guerra civil americana, tenha-se tornado, depois da 2ª Grande Guerra, mais forte do que o ouro e a prata.

Hoje, porém, estamos, de novo, diante de um dilema, pois há mais dolar de papel no mundo do que poder aquisitivo: passou, portanto, a ser “ridículo” – usando a linguagem smithiana – considerar que o valor consiste no que o dinheiro pode comprar.

Se o valor não é o ouro nem a prata, nem o poder aquisitivo – se o próprio dólar não é mais valor, como vai ser ?

Essa é uma grande questão que os bancos centrais das diversas regiões do mundo vão ter que resolver a curto prazo.


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