A LEI DA SELVA

O embaixador John Bolton, até recentemente representante dos EUA na ONU, declarou ao jornal britânico The Daily Telegraph (segundo informa o Estadão de hoje ) que “ se tivermos que escolher entre um Irã capaz de desenvolver armas nucleares e o uso da força, acho que esta tem de ser nossa opção”.

Trata-se, como se vê, de um argumento que prega o uso puro da força para resolver uma pendência internacional: que trata da questão atômica como se fosse matéria meramente de fato, a ser resolvida pela violência direta, cujo emprego deve ser imediato ou mesmo preventivo, quaisquer que sejam as conseqüências políticas e econômicas desse ato, que o próprio Bolton, como diz a nota do jornal, admite serem perigosas.

Os iranianos afirmam que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e que obedece às leis internacionais, do que a opinião pública tem boas razões para duvidar. O remédio para essa questão, porém, não está em bombardear as instalações nucleares que estão sendo construídas no Irã, mas em negociar uma solução que atenda aos interesses da comunidade internacional.

Essa negociação não é fácil, evidentemente, mas não é impossível, e exige que os maiores interessados, Irã, EUA e União Européia, pelo menos, sentem-se numa mesa e discutam. A solução bélica, preconizada por Bolton seria catastrófica para todos nós, como vários especialistas já demonstraram de forma irrespondível, inclusive através de artigos publicados nos jornais de todo o mundo.

A tomada do poder dos EUA pelos “neo-conservadores” – dos quais Bolton é notório representante – que pregam, abertamente, a obediência à Lei das Selvas, deve despertar em todos nós a necessidade de revisitarmos as leis internacionais, particularmente as que disciplinam o uso da energia atômica.


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