ESPECULAÇÃO CONTRA O REAL

O Banco Central brasileiro, segundo parece, está cogitando colocar em prática uma nova estratégia para “desestimular aplicações especulativas no real.”

Ao que tudo indica, na onda do efetivo desprestígio mundial do dólar, está havendo um surto de manobras especulativas contra moedas dos países emergentes, especialmente a do Brasil, atualmente muito procurada.

Não há um controle válido centralizado ( nem mesmo eficazmente descentralizado ) do sistema financeiro internacional que se torna, por isso, suscetível de ser gerido por uma quantidade relativamente pequena de pessoas , que dispõem de recursos enormes, próprios e de terceiros, e podem encontrar brechas e nichos que permitam a obtenção de ganhos a curto prazo, de forma razoavelmente segura, através de ataques esporádicos contra os Tesouros nacionais de certos países.

A situação atual do câmbio no Brasil, portanto, não deve ser motivo de euforia, mas de preocupação para os brasileiros.

Como os investidores conseguem captar dinheiro a custo muito baixo, atualmente, especialmente nos EUA – onde a taxa de juros está a 5,25% ao ano – se eles aplicarem em real, podem ganhar muito, às nossas custas. Alguém, por exemplo, que aplicou “ US$ 100 mil em renda fixa no mercado brasileiro,em dezembro de 2006, quando a taxa de câmbio estava em R$ 2,13, e vendeu, hoje, com câmbio de R$ 1,95, ganhou em torno de US$ 10 mil, incluído nesse quantum “ a variação cambial do período e o diferencial de juros, calculado entre a taxa americana e a brasileira.”

Como o Tesouro brasileiro é credor em dólares, quanto mais a moeda americana cai, mais o Brasil perde dinheiro. Em outras palavras, a despeito do que alguns têm propalado, a queda do dólar está fazendo com que percamos dinheiro. O Tesouro só ganharia se o dólar subisse.

O dólar, aparentemente, vai continuar a cair e estará, em breve, a R$ 1,80, dependendo o que o Banco Central venha a fazer nos próximos dias.

Há muitas lições a extrair do que está ocorrendo hoje, com a nossa taxa de câmbio. A principal delas, a meu ver, é a necessidade de os países do MERCOSUL se unirem monetariamente para fortalecer os seus respectivos dinheiros nacionais, como a Europa soube fazer quando instituiu o Euro.


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