O VIADUTO DOS CABRITOS ALADOS

Quando vi aquela imagem na primeira página dos jornais ( sob manchete que informava que 46 pessoas tinham acabado de ser presas pela Polícia Federal envolvidas” em máfia de obras públicas”): aquela imagem da obra já concluída de um viaduto no Maranhão,elevado no espaço, com as duas extremidades distantes uns vinte metros do chão,como se ligassem o nada a coisa alguma, lembrei-me da uma história que o engenheiro carioca Armando Coelho de Freitas contava, explicando porque o Viaduto dos Cabritos, em Campo Grande, na cidade do Rio de Janeiro tinha recebido, na década de 1960, esse nome.

O Departamento de Estradas de Rodagens do antigo Estado da Guanabara, do qual ele era o Diretor-Geral, projetara um viaduto no cruzamento da antiga avenida das Américas com uma outra via, que ia para Santa Cruz, porque aquele local teria um grande movimento de carros no futuro, o que efetivamente ocorreu.

O então governador do Estado, Carlos Lacerda, num primeiro momento, vetou a construção do viaduto, dizendo que por ele só iriam passar cabritos – mas acabou vencido pela insistência do Armando Coelho de Freitas que, afinal, em homenagem ao episódio, denominou a obra de Viaduto dos Cabritos, sua designação até hoje.

No caso do viaduto do Maranhão, porém, de responsabilidade, segundo os jornais, da Construtora Gautama – cujas operações motivaram a chamada Operação Navalha, da Polícia Federal – a imagem que o retrata suspenso e isolado, sem que os seus acessos estejam ligando a qualquer estrada, sugere que ele, no presente e no futuro, venha a servir, apenas, para a passagem eventual de cabritos alados…


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