O MACABRO WOLFOWITZ

Há homens públicos particularmente daninhos e Paul Wolfowitz, que está renunciando à presidência do Banco Mundial, é inegavelmente um deles, como demonstra , em bela síntese,o artigo de Even MacAskill, do The Guardian, publicado hoje no Estado de São Paulo.

Líder do grupo belicoso conhecido como Vulcans, no governo Bush, ele defendeu a tese de que o Iraque seria uma espécie de farol da democracia no Oriente Médio. Nomeado vice-secretário de Defesa incentivou a invasão fazendo uma série de previsões: os soldados americanos seriam recebidos como libertadores e o petróleo do próprio Iraque pagaria pela reconstrução.

No Banco Mundial, depois de nomear ex-membros do governo Bush como conselheiros, com contratos de US$ 250 mil, livres de impostos, pôs em prática uma política de condicionar a ajuda do banco aos países interessados a medidas anticorrupção dos governos, de forma muito mais rigorosa do que anteriormente ocorria. “O problema para Wolfowitz”, diz MacAskil, “foi que a política ( anticorrupção ) pareceu ser aplicada seletivamente, com a ajuda negada aos países opostos aos EUA e distribuída aos aliados”.

A reação dos europeus – inclusive dos ingleses, que o viram com ingênua admiração no início – contra esse macabro personagem obrigou-o a renunciar, mas o rastro que ele deixa é o da mais pura canalhice.


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