A REVIRAVOLTA

Até que ponto os ideais neo liberais, em torno dos quais os EUA cresceram nos últimos 60 anos, assemelham-se aos princípios neo conservadores que encantam, presentemente, a sociedade americana ? Será ilusório pensar que a vitória dos democratas, na próxima eleição, vai mudar a política dos Estados Unidos ?

Num primeiro momento tendemos a responder que os novos conservadores que estão no poder atualmente são muito diferentes dos neo liberais e que a derrota dos republicanos nas próximas eleições para o Executivo americano representará uma mudança significativa na política externa dos EUA.

Mas podemos estar enganados se pensarmos assim.

O discurso dos neo liberais – como o de Milton Friedman, por exemplo, no seu livro “Liberdade de Escolher” – ao se abstrair do crescimento do poderio militar americano, induzia-nos a crer que a liberdade tinha um valor intrínseco, que independia da ordem jurídica que a assegurava. Também o pensamento de F.A. Hayek, expresso no seu livro “O caminho da Servidão” sugeria que o regime capitalista do Ocidente prestigiava as normas formais e não as normas substanciais cujo abundante emprego caracterizava o coletivismo soviético e de outros países socialistas.

O que estamos vendo presentemente desmente tanto as convicções de Friedman como as de Hayek e evidenciam que os neo liberais e os neo conservadores não são tão diferentes assim, sugerindo, até mesmo, que os segundo descendem dos primeiros.

O crescimento do Estado militar americano – com a abundância da produção de normas substanciais daí decorrente – é uma evidente contradição com o discurso dos citados autores neo liberais que defendiam a diminuição do Estado e condenavam as normas não formais.

Os democratas, se vitoriosos, talvez não possam promover grandes mudanças na política – principalmente da política externa – americana.

É provável que o novo governo dos EUA, resultante das eleições do ano que vem, seja menos incompetente do que o atual. Pode ser, também, que as alterações do cenário internacional, provocadas, em grande parte, pelas decisões erradas de política externa da administração Bush, acabem obrigando os americanos a participar de um rearranjo futuro do Direito Internacional.

As esperadas mudanças, porém, somente ocorrerão a longo prazo.


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