DOIS IMPASSES

O país mais poderoso da atualidade vive um momento de impasse gerador de tensões que contaminam todo o mundo. Por um lado ele é apontado como o principal causador do aquecimento global, que ameaça o planeta; por outro lado, como a única superpotência que restou, quer usar as suas armas como trunfo nas negociações diplomáticas – ou para fazer experiências militares – mas, por outro lado, vê reduzir-se cada vez mais o espaço onde essas armas podem ser usadas, o que as transformará, a médio prazo, em algo provavelmente inútil.

A presidência Bush, uma das piores – senão a pior de todas – da História dos EUA encarna esses impasses que foram levados a um ponto tal que o seu sucessor deve ser obrigado a fazer um discurso de mudanças, de entendimento e de paz.

Os americanos não têm muito experiência com a paz ( digamos assim ) passiva; mas talvez se revelem hábeis na administração de uma forma ( digamos assim ) ativa da paz. Há um livrinho de Albert Hirshman intitulado “As paixões e os Interesses: argumentos políticos a favor do capitalismo antes do seu triunfo” que traz bons ensinamentos de como os interesses ( a paz ativa, a seu ver ) podem ser bem empregados para refrear as guerras, a ponto de os pensadores da época do surgimento do capitalismo suporem que ele pudesse ser mais “doce” do que os regimes “apaixonados” que o precediam.

Embora o capitalismo, depois, não tivesse se revelado tão doce – assim como, na prática, o socialismo real não se tenha evidenciado tão justo quanto esperavam os seus defensores – tanto um como o outro mostraram que os povos podem ser organizados em torno de normas “mais suaves”( que prometem prêmios e não punições ) do que as regras jurídicas tradicionais, que se apóiam na sanção violenta.

Como os EUA, hoje em dia, numa sadia competição com a China, são o país com melhor experiência na administração de sua moeda vejo na “monetização internacional organizada” – uma forma evoluída de globalização que repouse numa atuação intensa do Banco Central e de certas organizações financeiras internacionais – um dos melhores caminhos para eles saírem do beco aparentemente sem saída para o qual historicamente, se não tiverem cuidado, podem estar se encaminhando.


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