A RETÓRICA DO MERCOSUL

O informativo artigo de Rubens Barbosa publicado hoje no Estadão e no Globo dá conta de uma reunião de especialistas no Woodrow Wilson Center de Washington em que foram resumidas as dificuldades que têm prejudicado a desejada integração dos países que compõem o MERCOSUL

A gente acaba a leitura do artigo convencido de que precisamos, com efeito, de um ideal regional para ser utilizado como motivação comum; de que não nos basta ser uma União Aduaneira imperfeita; de que é preciso formular, enfim, uma “utopia” para o MERCOSUL.

Esse ideal de longo prazo, de que carecemos, foi o que permitiu a consecução da União Européia. No caso deles, tratou-se de alcançar a “Paz Perpétua”, por meio de um processo longo e difícil – mas afinal realizado – de fazer circular uma moeda comum entre países que, no século 20, tinham se digladiado em duas terríveis guerras. A paz através da moeda foi o lema que lastreou o processo de integração européia.

O EURO não foi, portanto, o ponto final apenas de um processo econômico comercial: ele foi a inspiração desse processo e, depois de emitido, transformou-se numa nova “constituição”, apta a disciplinar, de um modo simples e direto, a conduta dos europeus nas suas questões do dia a dia, antes mesmo de que uma Constituição formal pudesse ser editada ( o que, por sinal, até hoje não foi feito .)

Uma medida simples, mas de grande alcance, e que tiraria o MERCOSUL de sua atual paralisia institucional, dirigindo-o para um futuro grandioso seria a criação do Instituto Monetário do MERCOSUL, à semelhança do que aconteceu na Europa, no início do seu processo de união.

A criação do IMM seria um sinal de que queremos fazer a nossa integração através da moeda.


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