POLÍTICA “ARTÍSTICA”

Se a política, segundo dizem, é também uma arte. não há nada de mais na expressão em epígrafe, especialmente quando estamos diante da decisão tomada ontem pelo Conselho Monetário Nacional ao fixar duas metas de inflação: de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos, para cima ou para baixo, e de 4% como “alvo”, a ser buscado pelo Banco Central.

Essa decisão foi tomada, aparentemente, para agradar a todos: ao presidente Lula, que, com ela, pode afagar os industriais e ao Banco Central, que quer uma taxa mais baixa, mas cuja autonomia não foi desrespeitada. Do ponto de vista da política artística, portanto, foi um bom encaminhamento para uma discussão que já estava tomando corpo na opinião pública: reduzir ou não as metas de inflação.

De uma perspectiva jurídica, porém, a solução não é boa.

A meta de inflação é uma espécie de índice que funciona, entre nós, como “moeda paralela”.

Em decorrência do que foi decidido pelo CMN passaremos a ter, agora, em 2007 e 2008, três “moedas”: o real, o índice de inflação desejado, e o índice de inflação “na prática” – o que significa que, na prática, a inflação não vai cair tanto quanto deveria.

Como ainda não ocorreu a desindexação integral da Economia, não obstante os 13 anos de vigência do plano real, continuamos às voltas com diversos indexadores cada qual com a sua respectiva clientela.

O caminho correto seria ter uma meta clara e, se a inflação estivesse encolhendo, reduzi-la.

O nosso objetivo deve ser ter uma única moeda, como todo o mundo, aliás. Incertezas, índices diversos, variados indexadores, tudo isso nos fez muito mal, de 1964 a 1994.

A decisão do Conselho Monetário Nacional, pois, não passou de uma artimanha.


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