TONY BLAIR, um oportunista

Com os seus altos e baixos, como todo oportunista. No caso da guerra do Iraque, deixando-se atropelar pela Casa Branca, ao se aliar a Bush e Cheney, cometeu um suicídio político. Agora, porém, talvez consiga reabilitar-se, pelo menos em parte, perante a História, se for mesmo indicado como representante do Quarteto de Madrid para mediar uma solução para a crise palestina-israelense e, por extensão, do Oriente Médio.

Blair apoiou a ilegal invasão do Iraque porque calculou – erradamente – que os EUA iriam “liquidar a fatura” em três tempos. Mais tarde, porém, foi uma das vozes que neutralizaram o coro dos neo conservadores militaristas que queriam, porque queriam, estender a guerra ao Irã, o que ele sempre considerou uma loucura.

As declarações de Blair de que “ qualquer um que se preocupa com a paz e a estabilidade no mundo sabe que uma resolução duradoura e resistente da questão israelense-palestina é essencial” são, inegavelmente, boas. E ele tem credenciais para tentar encaminhar um arranjo entre o Fatah e Israel – com a adesão inevitável, mais tarde, do Hamas – não só porque é habilidoso, como porque os britânicos são também grandes responsáveis pelo conflito nos territórios palestinos.

A única solução para a questão palestina é a implantação do Estado Palestino, como sempre defendeu Yasser Arafat que hoje, olhado sob uma perspectiva histórica, aparece como um político sensato e moderado, que queria fazer com o seu povo o que todos nós ocidentais (?) fizemos com os nossos: organizá-lo sob a forma jurídica de um Estado.

Quanto mais depressa o Estado Palestino surgir, disciplinando a vida de milhões de pessoas (que vivem, atualmente, confinados desumanamente como ratos, e a quem não se reserva outra forma de dignidade senão a de suicidarem em nome de uma causa) melhor para o Oriente Médio, e para todos nós.

Não devemos nos esquecer, ademais, que a escolha de Blair como enviado especial do grupo de mediadores formado pelos EUA, Rússia, ONU e EU é uma demonstração pública de que não há outro líder de língua inglesa ( ou seja, Bush ) com autoridade capaz de sentar à mesa com as partes interessadas para tentar encaminhar uma solução urgente para a questão palestina.


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