OS EMPRESÁRIOS DEVEM EMPREENDER e não fazer fazer política

No meu tempo de estudante os conservadores diziam que os estudantes deviam estudar e não fazer política ( Embora tenha sido a política estudantil uma das responsáveis, dentre outras conquistas, pela derrubada da ditadura militar; e, mais recentemente, pela renúncia de Collor, que deu lugar à posterior ascensão de Fernando Henrique Cardoso e, agora, de Lula.)

A experiência brasileira com os empresários metidos na política não tem sido, contudo tão positiva.

Foram eles que se uniram ( em torno do IPES e do IBAD, vocês se lembram ? ) para implantar um “tripé” que reunia também militares e companhias multinacionais, tudo para derrubar um presidente democraticamente eleito e instalar, em seguida, uma ditadura, da qual se beneficiaram ao longo de duas décadas.

Agora, aparentemente, os empresários estão querendo, de novo, fazer política.

É isso, pelo menos, que se deduz de duas manchetes estampadas ontem na mídia impressa, respectivamente no jornal Valor e na revista Veja, a primeira das quais diz: “ Indústrias fazem lobby para vetar Venezuela no MERCOSUL” e a segunda determina: “Porque ele tem de sair”.

Quanto ao lobby contra a Venezuela esclarece o Valor: “ O mercado Venezuela tem sido generoso para os exportadores brasileiros, mas a inquietação dos empresários tem outros motivos.”

Com relação ao presidente do Senado escreve a Veja: “ Sem conseguir provar nada do que afirma, nem mesmo a venda de gado, o senador vira um constrangimento para o Senado – e a superação da crise exige a sua renúncia”.

São marcantes, nos dois casos, os desvios de finalidade: no primeiro, embora o mercado venezuelano esteja sendo generoso para os empresários brasileiros, eles seriam contra o ingresso da Venezuela no MERCOSUL por “outros motivos”, isto é, por motivos políticos e não empresariais.

No segundo caso, uma empresa jornalística, cujos diretores não foram eleitos para exercer nenhum mandato popular, pedem, ostensivamente, a cabeça do presidente do Senado, exigindo “a sua renúncia.”

A pergunta que me ocorre é a mesma que se faziam, por certo, os conservadores do meu tempo – quando argumentavam contrariamente à participação dos estudantes na política: serão, mesmo, os empresários que estão por trás disso, ou alguns espertalhões estão querendo usá-los como massa de manobra ?


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