SUB-PRODUTOS DO ALEMÃO

O primeiro sub-produto, emblemático – destinado a se tornar uma espécie de Rambo local – é o Inspetor Leonardo da Silva Tôrres , cujo “sonho é ir para o Iraque”. Ele mereceu foto de primeira página no GLOBO de hoje que o descreve como alguém que “tem tudo para se tornar o símbolo de uma guerra não convencional”. A palavra guerra, aliás, “está na boca do povo e nos textos da imprensa” ( diz o editorial do mesmo jornal ), sem falar que se tornou de uso corrente na linguagem das autoridades estaduais.

A solução guerreira – e o Iraque, para onde o Inspetor Tôrres diz que gostaria de ir, é bom exemplo disso – pode empolgar, num primeiro momento, porque parece ser a mais fácil e rápida. Só que ela, além de não constituir uma solução, provoca indesejáveis sub-produtos – as chamadas “hipotecas” – que, no nosso caso, o Governador Sérgio Cabral vai ter que começar a pagar a partir de hoje.

O sucesso da ação violenta – oficialmente, a mais violenta que eu já vi neste Estado – proclamada em uníssono pela mídia, tornará o Secretário Beltrame, por exemplo, da noite para o dia, um super secretário, e ainda por cima “imexível “ ( como gostava de dizer o ministro Magri ). Além disso, a população amedrontada vai cobrar o governo outras ações, cada vez mais espetaculares, inclusive o cerco da Rocinha e do maior número possível de favelas do Rio, sob pena de desmoralização futura da macheza que acabou de ser demonstrada pela polícia.

A mensagem que os jornais estão passando, de que há uma “cidade doente” que deve ser destruída para dar lugar à cidade sadia – faz parte de uma ideologia preconceituosa e discriminatória. A ação do governo do Estado que nessa linha, escolheu a força – e não medidas administrativas, econômicas e jurídicas – como remédio para um mal que o desafia, pode trazer graves conseqüências políticas, não só para o Rio de Janeiro, como para o Brasil.


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