AGRESSIVIDADE MÁXIMA

Assistindo ao noticiário político de ontem à noite na televisão lembrei-me do filme “Velocidade Máxima” em que o mocinho tem que manter o velocímetro de um ônibus acima de uma determinada marca pois há uma bomba acoplada que fará o veículo explodir se andar mais lentamente.

Percebi, então, que vivemos, atualmente, uma época de agressividade máxima – uma reedição psicológica da guerra fria – em que os dirigentes políticos não podem baixar o pique de seus discursos e de suas práticas, como se temessem “explodir” se fizessem isso.

Veja-se, por exemplo, o caso de Lewis Libby, ex-chefe de gabinete do vice presidente Dick Cheney, que, comprovadamente, mentiu ao tentar encobrir a participação da Casa Branca no episódio da agente da CIA que teve a identidade revelada . O presidente George Bush, diante da reação contrária da opinião pública ao perdão parcial que concedeu ao assessor pilantra ameaçou escalar com um perdão total.

Outro caso exemplar é do presidente Hugo Chávez que reagiu de forma inábil à uma observação (também inábil ) do Senado brasileiro e, ao invés de contornar a situação, decidiu agravar a crise, ameaçando retirar o seu pedido de adesão ao MERCOSUL, caso a aprovação ao ingresso da Venezuela não ocorra num determinado prazo.

Típico de agressividade máxima é, por outro lado, a do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad que se antecipa às denúncias que os EUA e a UE querem fazer sobre o avanço e rebeldia de seu programa nuclear ( de “fins pacíficos”? ) com a intenção de evitar que os militares acusem o seus país de guardar cartas na manga como pretexto para atacá-lo, procurado dar transparência a tudo que é feito, como uma espécie de estratégia de proteção.

Os líderes políticos internacionais não querem, enfim, diminuir a velocidade máxima da sua retórica – e da que imprimem as suas ações – para não darem a impressão de que estão fazendo concessões que possam ser utilizadas como pretexto para que a outra parte avance mais e ganhe terreno. Os lobos têm que demonstrar ser cada vez mais lobos, e os cordeiros devem ficar balindo o tempo todo dizendo o que pretendem fazer para que não pareçam ainda mais fracos do que são.

O clima tenso criado por essa estratégia reflete-se, internamente, no plano da nossa política nacional, e da mídia, que promove um clima de apreensão crescente, como se vivêssemos perseguidos por uma ameaça diária de um escândalo de corrupção capaz de nos levar à completa derrocada.

À era dos extremos está se seguindo a da agressividade máxima.

Vamos ver se Gordon Brown, Nicolas Sarkozy, Lula, e a próxima ( sic ) presidente dos EUA conseguem criar um clima de distensão de que o mundo e o Brasil tanto precisam.


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